sábado, 9 de novembro de 2019

Criminalística - Pequeno Manual - Parte 2





Albani Borges dos Reis



CRIMINALÍSTICA
PEQUENO MANUAL






OBS. O presente trabalho foi dividido em duas partes, sendo a segunda parte do texto. 
O índice não corresponde ao local do texto, pois os aplicativos do blog não oferecem a divisão da páginas.
As notas de rodapé estão compiladas no final do texto na sequencia da bibliografia.


INDICE

8.7. Ex.a de Local de Incêndios e Explosões.......................................................177
8.7.1. Considerações........................................................….......…….....................................................................................177
8.7.2. Histórico.......................................................................………......................................................................................178
8.7.3. Requisitos Básicos para o Perito de Local de Incêndios..…................................................................................179
8.7.4. Propósitos da Perícia de Local de Incêndio.................….......................................................................................180
8.7.5. Estudo do Fogo....................................................................……...........................................................…....................181
8.7.6. Combustão........................................................................………..................................................................................183
8.7.7. Fontes de Ignição (Energia de Ativação).................................................................................................................184
8.7.8. Propagação do Fogo..............................................................................................................……................................187
8.7.9. Principais Mater. Combustíveis Encontrados em um Incêndio.........................................................................191
8.7.10. Causas Mais Comuns de Incêndios...............................................................................................…….................192
8.7.11. Fatores Determinantes na Causa de um Incêndio..............................................................................................193
8.7.12. Causas de Incêndios por Eletricidade...............................…….............................................................................194
8.7.13. Causas de Incêndios por Quedas de Raios.................................................................................…......................195
8.7.14. Causas de Incêndios por Explosões......................................................................................................................196
8.7.15. Causas de Incêndios por Botijões de Gás.................…........................................................................................197
8.7.16. Causas de Incêndios por Ação Pessoal.................................................................................................................201
8.7.17. Determinação da Região do Foco Inicial ............................................................................................................205
8.7.18. Determinação do Agente Ígneo..............................................................................................................................207
8.7.19. Determinação da Causa do Incêndio...........................……........,..........................................................................208
8.7.20. Estudo da Extensão dos Danos................................……........................................................................................208
8.7.21. Informações Úteis na Investigação de Incêndios........…....................................................................................209
9. EXAMES REALIZADOS EM LABORATÓRIO......................................................214
9.1. Considerações......................................................................................................204
9.1.1. Exames realizados pelo IML......................................................................................................................................216
9.2. Perinecroscopia...................................................................................................221
9.3. Balística Forense.............................................................................….................224
9.3.1. Balística Forense – Conceito......................................................................................................……..........................224
9.3.2. Objetivos da Balística Forense.....................................…….......................................................................................225
9.3.3. Principais Problemas Estudados Pela Balística Forense......................................................................................225
9.3.4. Principais Problemas Estudados Pela Medicina Legal..........................................................................…............226
9.3.4. Classificação Geral das Armas de Fogo..............................................................................................…...................226
9.3.6. Identificação das Armas de Fogo..............................................................................................…..............................227
9.3.6.1. Identificação Direta ou Imediata das Armas de Fogo..............................................................................…........228
9.3.6.2. Identificação Indireta ou Mediata das Armas de Fogo.......................................................................................229
9.3.7. Determinação da Distância de Disparo......................................................................................…......….................233
9.3.8. Determinação do Autor de um Disparo.......................................................................................….........................234
9.3.9. Determinação da Época de um Disparo.................…...............................................................................................236
9.3.10. Determinação da Arma usada na Prática de um Crime.......................................................................................237
9.3.11. Tiro Involuntário...........................................................................................................………...................................240
9.3.12. Tiro Acidental...........................................................…...........................................................…….............................243
9.3.13. Munições Para Armas de Fogo..............…...............................................................................................................245
9.3.13.1. Elementos da Munição............................……........................................................................................................245
9.3.14. Efeitos de Tiros em Diversos Alvos................……................................................................................................248
9.3.15. Recarga (Reutilização de Munições).........................................................................……......................................250
9.3.16. Calibre das Munições....................................…….....................................................................................................252
9.3.17. Risco de Acidente.............................................…......................................................................................................254
9.4. Documentoscopia...............................................................................................257
9.4.1. Definições .............................................................……….............................................................................................257
9.4.2. Campos de Atuação....................................……..........................................................................................................257
9.4.3. Falsificações ..................................................………...................................................................................................258
9.4.3.1. Falsificações..............................................…..........................................................…...............................................259
9.4.3.2. Alterações.....................................................…..........................................................................................................259
9.4.4. Problemas Básicos Investigados.............….............................................................................................................259
9.4.5. Autenticidade do Documento.......................................................................................….........................................260
9.4.6. Autenticidade Gráfica.................................................................................................….............................................261
9.4.7. Autoria Gráfica................................................................................................................…..........................................161
9.4.8. Algumas Definições relacionadas...........................................................................................................................262
9.4.8.1. Grafotécnica.................................................................................................................………...................................262
9.4.8.2. Gesto Gráfico................................................................................................................………..................................262
9.4.8.3. Idade Gráfica.......................................................................................................……...............................................262
9.4.8.4. Chancela..................................................……............................................................................................................263
9.4.8.5. Espelho...................................................……............................................................................................................264
9.4.8.6. Preenchimento...................................................................................................……...............................................264
9.4.8.7. Imitações.........................................................................................................................…......................................264
9.4.9. Leis e Princípios Fundamentais da Escrita........................................................................…................................265
9.5. Datiloscopia.........................................................................................................268
9.5.1. Histórico.......................................................................................................................................................................269
9.5.2.1. Perenidade.................................................................................................................................................................269
9.5.2.2. Imutabilidade............................................................................................................................................................269
9.5.32.3. Diversidade......................................................................................................................……................................269
9.5.2.4. Classificabilidade........................................…..........................................................…...........................................270
9.5.3. Conceitos.........................................................……......................................................................................................270
9.5.4. Desenho Digital..................................................................................................…….................................................271
9.5.5. Datiloscopia...................................................……......................................................................................................263
9.5.6. Sistemas Datiloscópicos...................................……................................................................................................274
9.5.6.1.Sistema Decadactilar.....................................……...................................................................................................274
9.5.6.2. Sistema Monodactilar...............................................................................................……......................................275
9.6. Odontologia Legal.............................................................................................277
9.7. DNA Forense.......................................................................................................279
9.8. Química Forense...............................................................................................281
9.9. Toxicologia Forense.........................................................................................282
9.10. Identificação Veicular...................................................................................284
9.10.1. RENAVAN (O que é o Registro Nacional de Veículos)....................................................................................284
9.10.2. Exame do Veículo.........................................................................................................……...................................285
9.10.3 Adulterações.............................................................................................................……........................................287
9.11. Informática Forense.....................................................................................289
9.11.1. Possibilidades de Crimes na área...............…….................................................................................................289
9.12. Des. Para Criminalística........…...................................................................291
9.12.1. Apresentação..........................................................................................................................…….........................291
9.12.2. Passos Para Produzir um Desenho de Local....................................................................................................291
9.13. Fotografia para Criminalística.….............................................................300
9.13.1. Apresentação.............................................................................................................................................300
9.14. Retrato Falado............................................................................…................302
9.14.1. Pequeno Histórico........................................................................................................…….................................302
9.15. Padrões......................................................................................…...................307
9.16. Embalagem de Objetos para Exames.....................................................309
9.17. Cadeia de Custódia.......................................................................................310
9.18. Isol. e Preservação de Local de Crime....................................................312
9.18.1. O que é Isolar e Preservar um local de Crime................................................................................................312
9.18.2. Materiais Usados Para o Isolamento de Local...............................................................................................313
9.18.3. Participação Popular...........................................................................................................................................314
9.18.4. Proc. do Policial e a Necessidade de Adentrar no Local..............................................................................315
9.19.5. O Que Deve ser Feito No Local.....................................................................................................….................317
9.18.6. Eleição de Sítios Paa Serem Isolados e Preservados....................................................................….............318
9.18.7. Trajetórias Possíveis Dentro do Local.............................................................................................….............319
9.18.8. Materiais Comuns Encontrados nos Locais de Crimes.................................................................…............319
9.18..8.1. Em Locais de Acidentes de Tráfego..............................................................................................................320
9.18.8.2. Em Locais de Morte Violenta Internos.........................................................................................................321
9.18.8.3. Em Locais de Morte Violenta Externos........................................................................................................322
9.18.8.4. Em Locais de Arrombamento Seguido de Furto........................................................................................323
9.18.8.5. Em Locais de Investigação de Danos ao Meio Ambiente........................................................................323
9.18.8.6. Em Locai de Crimes de Informática.............................................................................................................324








_______________________________________________________________________________













8.7. Exames de Locais de Incêndios e de Explosões

8.7.1. Considerações

O CPP define a atuação do perito criminal no caso de exame em local de incêndio, de acordo com o artigo 173. Com base nele é possível nortear todos os procedimentos com relação aos exames a serem realizados em quaisquer locais onde tenham ocorrido eventos dessa natureza.

Art. 173 – No caso de incêndios os peritos verificarão a causa e o lugar onde houver começado, o perigo que dele tiver resultado para a vida ou para o patrimônio alheio, a extensão do dano e o seu valor e as demais circunstâncias que interessam para a elucidação do fato.”

Para esclarecer todas as circunstâncias importantes, a perícia de local de Incêndio, do ponto de vista criminalístico, precisa conhecer o comportamento do fogo, sua química, sua ação física bem como todo o seu desenvolvimento. O resultado de sua ação desde o momento de sua mais tenra ignição até o lixiviado de suas cinzas é capaz de revelar tudo que é necessário para se chegar à sua causa. Desde os primórdios da humanidade é possível imaginar o quanto esse fenômeno tão corriqueiro hoje, foi difícil de ser conquistado e dominado no passado. Hoje com uma simples caixa de palitos de fósforos, inicia-se em um segundo o fogo que é capaz de destruir tudo que se construiu durante anos. Mas não foi sempre assim. Sua deflagração e conservação foram por milênios, de certa forma, como manter segredo de estado, sobre os grandes inventos. O fogo era guardado com própria vida, pois consegui-lo era tarefa complicada. Muitas vezes era conquistado através da guerra.
Sua utilização a princípio, era, sem dúvida, para iluminar, para aquecer, e para cozinhar alimentos. Sem dúvida era usada como arma de guerra. Também como objeto de culto às divindades.


8.7.2. Histórico

O conhecimento e o domínio do fogo vieram mesmo com renascença e o desenvolvimento da metodologia científica, quando no século XVII na Inglaterra e outros países, houve grande desenvolvimento da Física e da Química. Grandes cientistas nesse sentido foram Robert Boyle, Antôine Laurent de Lavoisier (França 1743) remontando a Aristóteles, Robert Boyle, Francis Bacon, Santi Albans, George Ernest Stahl e outros nomes.
Hoje a perícia de local de incêndio é capaz de descobrir a sua causa, seja ela qual for. Para tanto se faz necessário o conhecimento das ciências básicas relacionadas com o fenômeno do fogo e suas variantes, bem como do domínio da metodologia científica, no caso, específica para tal procedimento. Como auxiliar, a tecnologia nos trouxe equipamentos sofisticados para prestar auxílio em exames complementares diversos.
A perícia de local de incêndio como as demais perícias, não pode exigir para a sua investigação, profissional com formação específica, pois sendo tantas as áreas do conhecimento humano, relacionadas ao fenômeno que se torna impossível contemplar a todas. Assim o perito precisa trabalhar basicamente o local com o método da observação e experimentação e, conhecimento básico. É auxiliado por exames complementares, que então, são conduzidos por profissionais com formações específicas para cada exame. Para esse auxílio procurar no universo do conhecimento humano, respostas para as indagações que surgem de acordo com o que exige o artigo 173 do CPP.
A metodologia aplicada à criminalística é a mesma para toda a ciência. É, portanto analisando sistematicamente, observando, experimentando, comparando, criando e checando hipóteses, que o perito chega a uma resposta satisfatória com relação à causa do sinistro.

8.7.3. Requisitos Básicos para o Perito em Investigação de Local de Incêndio


Para ser um perito criminal especialista na área da investigação científica de locais de incêndios e explosões, além de formação acadêmica em áreas afins é preciso:
-Conhecer e aplicar a metodologia científica;
-Conhecer e aplicar a metodologia científica inerente;
-Conhecer a disciplina Criminalística;
-Conhecer as ciências básicas afins;
-Ter perspicácia;
-Ter boa redação;
-Ter conhecimento sobre fotografia;
-Ter conhecimento básico de desenho técnico;
-Ter coragem para enfrentar o desconhecido.


8.7.4. Propósitos da Perícia de Local de Incêndio

O renomado perito criminalístico cearense Ranvier Feitosa Aragão33, aponta três propósitos da investigação do local de incêndio. Baseado nesses propósitos, praticamente tudo que a criminalística, busca saber a respeito de um incêndio, responderá pelo que a justiça precisa saber a esse respeito:
-Localizar o ponto de origem;
-Encontrar o agente ígneo;
-Determinara a sua autoria;
Localizar o ponto de origem do fogo é responder pelo foco do incêndio, o que significa desvendar a origem espacial do fenômeno. Em segundo lugar, determinar o agente ígneo causador do incêndio, que fica, sem dúvida, no local ou nas proximidades do local do foco. Com isso, caminha-se para o desfecho, para a solução do problema que é a determinação da autoria do fenômeno.
Os três fatores relacionados apontam para a classificação do fenômeno com relação a origem do agente ígneo. Entende-se assim, que a origem pode estar nas descargas atmosféricas, em fatores biológicos, nas reações químicas, nos fatores pessoais, intencionais ou acidentais.
Analisando o artigo 17334 do CPP, já mencionado, podemos citar propósitos, os quais, sem dúvida são de tamanha importância, no que diz respeito à satisfação da exigência legal.
São eles:
-Determinar a causa do sinistro;
-Determinar o foco inicial das chamas;
-Determinar o perigo que representa;
-Determinar a extensão dos danos;
-Determinar o valor do bem consumido.
De acordo com o citado, a perícia de local de incêndio, trabalha com objetivos propostos, bem definidos, e deve procurar responder a esses questionamentos.
Percebe-se que já existe uma meta, na investigação de qualquer evento denominado incêndio. É preciso traçar caminhos para achegar a essas metas. A metodologia, com criação de hipóteses, ajuda a traçar esses caminhos. Hipóteses bem elaboradas podem direcionar a investigação para respostas com relação aos questionamentos feitos.
É claro, que o conhecimento das ciências naturais relacionados ao fenômeno do fogo, abre os olhos da pesquisa para percorrer os caminhos traçados pela metodologia. Sem eles, o método não pode ser observado eficazmente.


8.7.5. Estudo do Fogo

Entende a ciência, que para haver fogo, são necessários três componentes, os quais interagindo de maneira definida dão origem ao fogo. São eles, o combustível, o comburente e a energia de ativação.



Figura 33 – A chama.

a - Combustível

Denomina-se combustível, a substância que vai ser transformada durante o processo da combustão.
São basicamente os compostos orgânicos constituídos por (C) Carbono, (H) Hidrogênio e (S) Enxofre.
Baseado nesse conceito pode-se observar que a maioria dos materiais conhecidos e usados no nosso dia a dia são considerados combustíveis. Existe, portanto, uma classificação básica em combustível e incombustível, pautada por determinados parâmetros. Dessa forma, levando-se em conta incêndios normais, existem materiais combustíveis e incombustíveis.

São tidos como incombustíveis substâncias ou materiais que necessitam de temperaturas muito altas para entrar em processo de combustão.


b – Comburente

Comburente é a denominação da substância que combina com o combustível, numa velocidade tal, que leva à produção de luz e calor (fogo). Os comburentes mais conhecidos são o oxigênio e o enxofre.


c - Energia de Ativação

Muitas reações não ocorrem, embora os reagentes tenham essa possibilidade; é necessário, portanto um início ou impulso num ponto qualquer do sistema, para que a mesma se estenda até o final ou se complete. Portanto, podemos dizer que energia de ativação é a energia mínima para dar início a uma reação. Isso acontece com o fogo.


8.7.6. Combustão

Por definição combustão é a reação química que combina o comburente com o combustível, mediante uma fonte de energia de ativação.

a – Combustão Completa
Quando numa reação as condições são favoráveis, ou seja, o combustível e o comburente existem na proporção ideal, esta tende a transformar os dois componentes da reação de maneira mais completa. Ela produz menos subprodutos, pois os combustíveis presentes ficam mais consumidos, ou seja, transformados em cinza de cor clara.

b – Combustão incompleta
Faltando um dos elementos em determinado momento da reação, a combustão cessa antes de consumir o outro elemento. Ela produz dessa forma, mais subprodutos, ficando no local, remanescentes de materiais incombustos e semicombustos.


8.7.7. Fontes de Ignição (Energia de Ativação)

Fontes de ignição são fatores relacionados aos incêndios e de uma forma ou de outra, um deles se encontra relacionado ao fenômeno pesquisado. São consideradas como energia de ativação. Aquilo que dá início a um incêndio. Podemos citar algumas fontes de ignição.

a – Centelha Elétrica
Como se sabe, a alta-tensão é capaz de gerar uma centelha (faísca) quando dois condutores energizados são aproximados um do outro.
Uma centelha elétrica produzida por uma vela de veículo possui efeito e intensidade que oscila em torno de 1.0000 C. Daí sua capacidade de dar início não só a uma reação química convencional, mas também a um incêndio.
b – Atrito
O atrito entre materiais, de maneira geral é uma fonte de calor por excelência. É comum em instalações industriais, veículos e equipamentos mecânicos, que possuem transmissão de energia de movimento por meio de correias, polias e outros sistemas.

c – Impacto
O impacto ou choque violento entre dois corpos, dependendo da natureza dos mesmos e da intensidade, pode produzir calor e, portanto, faíscas capazes de provocar incêndios. Isso acontece devido ao processo de produção de rupturas bruscas do material atingido.

d – Energia Solar
Dependendo do ângulo de incidência dos raios luminosos em lentes de vidro, acontece a concentração desses raios em materiais de baixos pontos de inflamação, o que pode levar a incêndios.


Figura 34 - Diversas fontes de ignição.


d – Agentes Ígneos Externos
São considerados como agentes ígneos externos, as descargas atmosféricas ou raios. Elas liberam uma descomunal quantidade de energia sobre a terra, se tornando eficientes agentes provocadores de incêndios.

e – Eletricidade Estática
A eletricidade estática que se acumulada em alguns materiais geram muitas vezes um potencial elevado, e como não possuem sistema de controle de descarga, liberam essa grande quantidade de energia instantaneamente, levando à ignição, materiais que se encontram nas proximidades.

f – Eletricidade
A eletricidade em si não oferece risco de incêndio, porém alguns dos seus efeitos são geradores de grandes quantidades de calor, o que por sua vez geram incêndios. Citamos o curto circuito, o superaquecimento da rede, os efeitos da corrente elétrica em aparelhos mecânicos que produzem atrito, choque e calor.


g – Faíscas Brasas Chamas
Faíscas são fagulhas, sobras ou pequenas porções de combustíveis em chama, as quais por serem leves são elevadas pelas correntes de convecção e depositadas em outros locais. Brasas são porções de combustíveis em processo de combustão, em estado e temperatura que nem emitem chamas nem se extinguem com muita rapidez. Enquanto que chamas caracterizam processo de combustão com desprendimento de gases oriundos do combustível, os quais reagem liberando calor. São potenciais agentes provocadores de incêndios.

h - Combustão Espontânea
Denomina-se combustão espontânea ao processo físico-químico, através do qual, determinados materiais se inflamam, sem a ação de fontes externas de calor, ou de agentes ígneos. São reações que liberam calor suficiente para dar início a uma reação química ou o próprio incêndio. Podem simplesmente acumular paulatinamente o calor, muitas vezes por ação de fungos, até que tenha início um foco de incêndio.


8.7.8. Propagação do Fogo


No estudo do fenômeno do fogo é de suma importância compreender a forma como ele se propaga no meio combustível. Ou seja, a dinâmica do fogo no espaço onde há combustíveis, sejam eles de uma natureza ou de naturezas diversas. Pode-se dizer que o fogo em um incêndio se propaga de diversas formas, dependendo da natureza e da disposição dos combustíveis no ambiente. Depende também das condições da combustão. O fogo Possui um padrão de comportamento definido, e de certa forma é previsível. É claro, depende de fatores variados.


a – Transmissão do calor
O calor, como é do conhecimento, transmite de um material para outro, seja eles da mesma natureza ou não, de diversas formas. Vejamos.


b – Transmissão Pôr Contato dos Materiais Combustíveis
Materiais em contato um com o outro recebe a energia de maneira direta, produzindo a dinâmica do fogo em um incêndio.



Figura 35 – Transmissão do calor por contato.


d – Transmissão Pôr Irradiação do Calor
A forma de transmissão de calor por irradiação é uma das mais comuns, quando um material se encontra nas proximidades de outro.


Figura 36 – Transmissão do calor por irradiação.

e – Transmissão Por Arremesso ou Queda de Material Incandescente
A transmissão por arremesso e queda de materiais incandescentes, se dá quando uma pequena quantidade de combustível (material) em chama é elevado pelas correntes de convecção das próprias chamas, e lançado em outro local.


Figura 37 – Transmissão do calor por arremesso e queda de material.


f – Transmissão Por Deflexão
A forma de propagação de um incêndio por deflexão se dá quando uma chama rebate em uma parede ou qualquer superfície, e reflete em outra direção alcançando outros materiais. Nesse caso quanto mais lisa a superfície, mais capacidade reflexiva ela tem.


g – Transmissão Através de Ductos (efeitos de tiragem)
Os ductos e corredores de construções, por serem excelentes condutores de correntes eólicas, ricas em Oxigênio, se constituem também excelentes meios de propagação de calor e consequentemente de incêndios. Em função da grande quantidade de oxigênio presente e de correntes eólicas para renovação do comburente. Eles quando na vertical se constituem em verdadeiros orientadores de calor em função da capacidade concentradora e de elevação pelas correntes de convecção.


Figura 38 – Transmissão do calor através de aberturas e ductos.


h - Transmissão Por Convecção
As correntes de convecção movimentam o ar quente para cima, se tornando um meio de propagação de incêndios. É a tendência natural do ar mais quente se elevar para as camadas superiores da atmosfera. São fenômenos atmosféricos que variam em intensidade de um lugar para outro.

Figura 39 – Transmissão do calor por convecção.


i – Pôr Ação Pessoal
A propagação de incêndios por ação pessoal assume na maioria dos casos conotação criminosa. Quando se fala de propagação, a referência é que já existe um princípio de incêndio, e que este passa de um ponto para outro por qualquer dos mecanismos citados.
Via de regra, os vestígios da propagação por ação humana intencional, se caracterizam por ações propositais, como, presença de focos duplos, curtos-circuitos provocados, Instrumentos de efeito térmico, deixados ligados, circuitos específicos para provocar incêndios, rastilhos propagadores e outros meios.


8.7.9. Principais Materiais Combustíveis Encontrados em um Incêndio

Existe certa constância nos tipos de materiais encontrados em locais de incêndios, mesmo porque no nosso dia a dia são os mais usados. São eles, os combustíveis que alimentam as chamas durante o evento.
São materiais combustíveis mais comuns encontrados em locais de incêndios: Madeira35, fibras vegetais, papel e papelão, plásticos, borrachas, tecidos e Cereais. A esses se acrescentam os líquidos e gazes combustíveis.


8.7.10. Causas Mais Comuns de Incêndios

As causas mais comuns a serem estudas e pesquisadas em locais de incêndios, podem ser definidas de acordo com as características de sua gênese. São conhecidas e podem ser definidas como hipóteses para serem confirmadas ou negadas.

A – Causa de incêndio por curto circuito.
Um curto circuito é provocado quando fios energizados da rede de distribuição de energia elétrica, por algum motivo se tocam fechando diretamente um circuito sem um sistema apto a absorver a energia convertida em calor. Necessário, portanto, se torna a presença de materiais combustíveis nas proximidades de ponto em curto, para que a centelha gerada dê início a uma combustão desses materiais.

b – Superaquecimento da rede de distribuição de energia elétrica.
Esse fenômeno geralmente ocorre em função do mau dimensionamento da rede de distribuição de energia elétrica em um circuito, em função da carga ( equipamentos elétricos presentes). Quando circula num circuito, uma corrente acima da capacidade desse, a rede se aquece.

c – Combustão espontânea.
Uma combustão espontânea ocorre por meio de reações exotérmicas as quais liberam uma quantidade de calor, suficiente para ignizar a matérias que se encontra nas proximidades. Ocorre também pela geração de gases de baixos pontos de ignição, em função de processos de fermentação de substâncias orgânicas.

d – Agentes ígneos externos. Entende-se por agentes ígneos externos, ou fenômenos atmosféricos, como raios e queda de meteoritos, que ocorrem em determinadas épocas do ano, e provocam incêndios.

e – Ação humana.
A ação humana em incêndios ocorre geralmente por iniciativa direta ou indireta do homem. Seja ela voluntária ou involuntária.

f – Causa Indeterminada.
Existe ainda a causa indeterminada, quando na impossibilidade de se definir uma das anteriores por um ou outro motivo. Deve ser evocada apenas quando todas as hipóteses e recursos forem esgotados.


8.7.11. Fatores Determinantes na Causa de um Incêndio.

Os incêndios mais comuns podem ser iniciados por fatores conhecidos e já estudados cientificamente por pesquisadores diversos. Quando considerados ainda que, genericamente, se constituem nas principais hipóteses para a investigação de quaisquer outros. Cada um deles deve ser considerado, analisado e diante das evidências colhidas, uns vão sendo eliminadas, enquanto outros vão sendo confirmados. Por fim, um deles deve se confirmar definitivamente.
Apresentamos alguns desses fatores lembrando que uma determinada causa pode estar relacionada a um ou mais desses ou de outros fatores conhecidos.

8.7.12. Causas de Incêndio por Eletricidade

Os incêndios provocados por eletricidade se desdobram em fatores variados, com origem em problemas na rede de distribuição de energia elétrica e em equipamentos, tanto de efeito térmico como mecânico: _Podem, portanto, estar relacionados à descarga de eletricidade estática, quando essa é capaz de produzir uma fagulha;
_Sobrecarga na rede de alimentação do circuito;
_Descargas atmosféricas sobre a rede de distribuição; _Rompimentos de cabos energizados da rede;
_Conexões de fios e cabos mal feitas;
_Rede mal dimensionada;
_Curto circuito e superaquecimento da rede de distribuição de energia elétrica.


Figura 40 – Configurações de alguns problemas na rede de distribuição de energia elétrica.

8.7.13. Causas de Incêndio por Queda de Raios


São comuns os incêndios provocados por descargas atmosféricas. Uma descarga atmosférica em uma cerca de arame na zona rural, pode provocar incêndios, cujo foco pode se encontrar distante de onde houve a descarga, pois esta energiza o fio da cerca, aquecendo-o e, estando em contato com a vegetação ressecada, dá início ao incêndio no ponto onde a vegetação se encontra mais susceptível. A descarga diretamente sobre árvores secas também pode dar início ao sinistro.
Uma das hipóteses para as descargas atmosféricas sugere que estas acontecem devido à movimentação de moléculas no interior das nuvens, dando origem ao acúmulo de cargas estáticas de sinais contrários às cargas na terra. Quando atingem um ponto crítico, são liberadas quantidades muito grandes de cargas que aquecem o ar, dando origem ao que vemos. A luminosidade. O trovão é o resultado do deslocamento do ar quente quando da passagem da carga.


8.7.14. Causas de Incêndio por Explosões


Muitos tipos de explosões podem provocar incêndios, desde que esta aconteça com elevação de temperatura, e que haja nas imediações combustíveis para serem inflamados. Rupturas bruscas, consequentes de explosões, ainda que mecânicas, podem provocar faíscas, provocar vazamentos de gazes e outros problemas. Também as explosões químicas que acontecem com elevação da temperatura e espalhamento de materiais incandescentes.
O local de uma explosão geralmente deixa o centro mais limpo do que as bordas, em virtude da sua ação desconcêntrica. A expansão dos gases tende arremessar qualquer material para as laterais formando uma zona limpa no centro e à media que a força da explosão vai diminuindo os materiais vão sendo depositados.



Figura 41 – Esquema básico da deposição dos vestígios em local de explosão.



8.7.15. Causas de Incêndios por Botijões de Gás


Botijões de gás podem dar origem a vazamentos e em determinados casos a explosões e, a partir destas iniciar incêndios tanto em instalações domésticas como comerciais e industriais. Os botijões mais conhecidos, no entanto, e mais difundidos, são os de uso domésticos, como capacidade de 13K, os quais também por serem mais usados, são os que mais são encontrados relacionados com ocorrência de incêndios.
É comum ouvir comentários de que um botijão de gás explodiu. Problemas com esses botijões e o gás, são de certa forma frequentes e encontram-se relacionados com um número considerável, senão grande, de ocorrências de acidentes tanto em residências, quanto em estabelecimentos comerciais que os usa.
Existem no mercado, vários modelos e tamanhos de botijões com finalidades mais ou menos específicas.
São conhecidas principalmente, as botijas, denominadas por alguns, de botijões portáteis de 2K e de 5K, muito usadas em camping, tanto para uso em lampiões como para fogareiros. Os mais comuns, no entanto são, no entanto os de 13K, usados domesticamente nas cozinhas. Outros tamanhos que variam de 16K até 90K. São para uso em veículos, empilhadeiras, restaurantes, hospitais, edifícios e outros usos.
Sejam quais forem os modelos usados, eles não são entregues totalmente cheios de GLP (Gás liquefeito de petróleo). Existem razões para isto, ou seja, o GLP, uma vez dentro do recipiente, se encontra em estado líquido por efeito de pressão a que são submetidos, e dilatam com o aumento da temperatura, tornando maior o risco de deformação das paredes do recipiente. Por outro lado, ficando a parte superior do vasilhame livre do líquido, ela será completada com o GLP no estado gasoso, ficando apto a transbordar pela válvula quando esta for aberta durante o uso normal.
O botijão de 13K, que é usado domesticamente, possui características especiais, sendo fabricado dentre de normas técnicas definidas e conhecidas tais como: diâmetro de 36 cm, altura de 45 cm, volume total de 31 litros e tara igual a 15Kg. É fabricado com chapa de liga de aço e carbono especial com espessura de 3,1 mm.

São componentes de uma garrafa ou botija: corpo, aro superior ou colarinho, aro inferior ou base, plug e válvula.
Componentes do botijão de 13 quilos.

O plug ou fusível é um dispositivo existente na parte superior lateral do corpo da garrafa e serve para garantir a sua segurança. É composto de um aro de metal fixado por fios de rosca no corpo do botijão. É dotado de um orifício ao longo de seu corpo, que é preenchido por uma liga metálica (chumbo) que funde com temperatura entre 700 C e 770 C. Ocorrendo um aumento de temperatura nas paredes do botijão, ocorre também aumento da pressão no seu interior, o que rompe o lacre de chumbo, permitindo o vazamento do gás para aliviar a pressão no seu interior. Dessa forma diminui o risco de explosão.

A válvula, onde é ligada a mangueira condutora do gás é fabricada de latão, construída de tal forma, que só permite a vazão do gás quando conectado ao aparelho de utilização. No interior da válvula, o conjunto de arruelas de neoprene (borracha) e demais peças, promovem a vedação, quando prensada por uma mola e um parafuso fixador.

O GLP (Gás liquefeito de Petróleo) possui características como: poder calorífico elevado, inodoro em seu estado original e, mais pesado que ar. Sendo mais pesado que o ar, quando ocorrem vazamentos possui tendência de acumular-se nos pontos mais baixos do ambiente.

Ocorrências de incêndios relacionados com botijões de gás.
Em levantamentos de locais de incêndios é indispensável que se observe cuidadosamente a presença de botijões de gás, para sondar a possibilidade de sua relação o fenômeno.



Figura 42 – Botijões de gás e seus componentes de segurança.

Primeiramente se o plug ou fusível foi fundido e o material do seu interior removido. A partir de então estabelecer se o incêndio foi provocado pela vazão do gás e sua combustão, ou se a vazão do gás se deu pelo aquecimento provocado pelo incêndio. É importante ressaltar que, para o gás entrar em combustão, é necessário que ele se misture como o Oxigênio do ar, e que haja um agente ígneo. A explosão do gás é outro fenômeno possível de acontecer, mas que exige determinadas condições. Primeiramente é preciso que o gás atinja uma mistura ideal com o ar e que haja uma fagulha. O gás no interior do botijão, dificilmente alcançará uma situação ideal para explodir. A explosão mecânica é outra possibilidade, o que ocorre com o rompimento da botija. Esse rompimento, por sua vez é provocado pela elevação da pressão no interior da botija atingindo uma força que excede a resistência das suas paredes. Daí a necessidade do fusível que se abre para aliviar a referida pressão.


8.7.16. Indícios em Incêndios provocados por Ação Pessoal

Incêndios causados por ação pessoal devem ser considerados sob dois aspectos. Um de caráter intencional e outro de caráter acidental. Ambos, no entanto, sem dúvida caracterizam ação pessoal. Todo cuidado é necessário durante a investigação científica, na interpretação dos indícios e nas conclusões, para não confundir os dois aspectos. Sem dúvida, nem sempre um acidente pode ser visto como crime. Ao passo que uma ação onde há intenção, assume caráter criminoso.
Sem intenção de emitir qualquer sugestão de caráter legal, no caso de incêndio, essa diferença carece de uma melhor caracterização do ponto de vista técnico, para que no momento de fazer a aplicação dos princípios legais não ocorra injustiça por parte de quem a executa.
Creio que o evento em que não há intenção em sua causa, fica mais bem designado como incêndio causado por falha humana. Como exemplo, podemos citar o fato de um acidente com aparelho de solda elétrica, com botijões de gás, ferro elétrico, e outros equipamentos relacionados de efeito térmico, quando em uso para os fins a que se propõe. Isto ressalvando os casos de negligência, imperícia ou imprudência. Por exemplo, efetuar soldagem de metais muito próximos a vasilhames de combustível. Fumar enquanto lida com substâncias inflamáveis e outras ações semelhantes.
Devem os exames em tais casos, não apenas evidenciar a sua sistemática de uso correto como os problemas de manutenção, e capacidade de realização do trabalho para o qual ele foi projetado.
Na realização dos exames periciais, pode se chegar a uma das causas referidas, acidental ou intencional, analisando os vestígios presentes, para comprovar uma delas, ou então pela ausência comprovada de vestígios relacionados a uma delas. Assim sendo, chega-se à causa pela eliminação de hipóteses ou de fatores.
O método de exclusão ou eliminação pode ser aplicado para qualquer fator ou hipótese mencionada. Como exemplo, não se encontrando vestígios relacionados com fatores elétricos, com agentes ígneos externos, com combustão espontânea, pode a causa do evento, estar relacionada com o fator humano. Restando apurar a qual dos dois as probabilidades recaem.
A presença de combustíveis ou de catalisadores alheios ao ambiente onde se deu um fato desses, ou onde existem mercadorias ou produtos existentes rotineiramente, passa a ser motivo de verificação mais acurada. A presença de rastilhos constituídos por elementos também alheios aos demais produtos, constituem indícios de gênese por ação humana, podendo até mesmo se cogitar de ação intencional, desde que somados outros elementos de caráter informativo.
Rastilhos artificiais propagadores de chamas são dispositivos ou meios pelos quais o fogo é conduzido de um ponto a outro, ou de uma região para outra do sistema a ser incinerado. Constituem-se de caminhos formados por combustíveis, explosivos ou mexas de algodão, ou qualquer outro produto capaz de conduzir e direcionar o fogo de um ponto para outro.
Outro fator indicativo de ação pessoal com intenção é a presença de focos duplos, ou seja, de fogo iniciado em mais de um ponto do ambiente incinerado, não havendo ligação de um com o outro. Deve ser objeto de investigação cuidadosa, pois pode representar a ação de incendiários ou a intenção por parte de pessoas interessadas.
Aparelhos de efeito térmico, tanto elétricos como movidos por qualquer outro tipo de energia, devem ser examinados detalhadamente. Tanto eles podem ser deixados ligados propositadamente, como podem ser esquecidos acionados por horas, ou seja, nos períodos em que não há expediente no caso de estabelecimentos comerciais ou industriais. Exames detalhados desses, em relação a outros fatores, tanto subjetivos como objetivos podem nos dar respostas favoráveis quanto à causa de eventos por estes provocados. A incineração de aparelhos elétricos na região do foco deve ser objeto de averiguação acurada, para averiguação e constatação se o incêndio foi provocado pelo aparelho ou o contrário, para dar impressão de que ele é causador do incêndio.
Aparelhos mecânicos movidos à energia elétrica são fabricados com margens de segurança, podendo suportar o funcionamento durante horas seguidas sem sofrer aquecimentos além do normal. As bobinas de efeito de campo dos transformadores e dos motores elétricos, bem como geradores, são enroladas de acordo como cálculos bastante precisos os quais operam sem provocar grandes aquecimentos no sistema.
Sinais evidentes de curto circuito na rede elétrica são comumente encontrados nos locais de ocorrências de incêndios. Nem sempre se encontram ligados à ideia de acidentes. Quando localizados fora da região do foco inicial das chamas, pode ser produzido em consequência do aquecimento do ambiente. Assim os referidos sinais de curtos-circuitos em locais de incêndios, devem ser cuidadosamente analisados. Eles podem ser produzidos com facilidade tanto para provocarem eventos, como para camuflar a verdadeira causa dos mesmos.
Geralmente a fadiga dos materiais isolantes dos cabos condutores de energia elétrica, provoca fissuras nos mesmos, deixando-os expostos e susceptíveis de acidentes. Roedores, comuns nos forros de construções, principalmente antigas, provocam a remoção das capas isolantes dos fios deixando-os expostos. Por outro lado, insetos ou os próprios roedores em face da remoção das capas isolantes dos fios, podem promover curtos entre a fase e o neutro da rede. Muito embora sejam de difícil constatação, fatos dessa natureza podem ocorrer, sendo comprovados em literaturas. Por isso é importante, determinar principalmente se os vestígios, fusão em pérola, estão fora ou na região do foco inicial das chamas. Também determinar se, mesmo diante desses vestígios, existe também evidências de focos duplos, e outros sinais característicos de cada uma das causas citadas.
Região do foco inicial das chamas em lugar acessível apenas a determinadas pessoas, ou em determinadas condições, também podem levar ao raciocínio de ação humana intencional.
Região do foco inicial, em escritório ou depósito de documentos, principalmente relacionados à tributação, ou dívidas de quaisquer naturezas, é passível de estar relacionado com ação humana intencional.
Desta forma, todos os vestígios encontrados no palco de um incêndio, devem ser alvos da atenção por parte do Perito que o examina com o propósito de estabelecer a sua causa de forma definitiva. A perspicácia deve levar em conta toda e qualquer informação, seja de ordem técnica, ou subjetiva. Nunca desprezar qualquer detalhe que se encontra no palco do exame, mesmo que não pareça a princípio estar relacionado com o mesmo.


8.7.17. Determinação da Região do Foco Inicial


A investigação de um local de incêndio deve ter como objetivo primordial a localização do foco, ou seja, onde o fogo iniciou. Assim, o trabalho da perícia, segue uma metodologia de trabalho que o levará a causa e a autoria do o sinistro.
Pelos seguintes e principais vestígios e características chega-se à região do foco de um incêndio, e da região muitas vezes ao ponto aproximado.
Primeiro, pela coloração do entulho. Considerando como entulho, todos os remanescentes de um incêndio. Entulho mais claro significa combustão mais completa, ou mais intensa. Por conseguinte, a combustão mais completa se encontra onde o fogo iniciou e que agiu no ambiente por um tempo mais prolongado.
Pelo grau de destruição. Maior destruição dos materiais combustíveis significa combustão mais completa. Cuidados devem ser tomados para não confundir com local onde havia maior concentração, ou maior quantidade de material combustível de fácil incineração.
Pela queda de reboco. Reboco desprendido de paredes significa local onde a temperatura esteve mais alta durante o fenômeno. Associado a outros fatores pode indicar o local do fogo inicial. Cerâmica do piso, solta pode ser indicativo de alta temperatura no local.
Pela marcha do fogo. Estudando os caminhos por onde o fogo percorreu e fazendo o caminho inverso pode-se chegar ao local ele iniciou. Moveis e materiais mais comburidos de um lado indicam a direção ou a marcha do fogo no ambiente.
Pela maior concentração de hidrocarbonetos. Os Hidrocarbonetos são avaliados através de detectores específicos.
São diagnósticos confiáveis, porém não é saudável que um fator apenas seja determinante. É necessário examinar um conjunto de fatores e as relações de um com os outros e de todos como o palco do evento para chegar a uma conclusão confiável.


Figura 43 – Exame de local de incêndio.


Pela disposição do entulho. Produtos e objetos não comburidos na parte superior do entulho significam via de regra, que o fogo iniciou na parte inferior do ambiente. Por outro lado, produtos comburidos sobre o entulho não comburido, significam que o fogo iniciou na parte superior do ambiente, e ao cair, muitas vezes não permite que o fogo incinere o que está por baixo. Lembre-se das correntes de convecção, em que o calor tende a ascendência.
Pela avaliação da temperatura. A presença de materiais cujo ponto de fusão é na média, mais alto do que o restante dos produtos encontrados no local indica que a temperatura neste ponto foi mais elevada em comparação com o restante do espaço. Alumínio ou vidro fundido indica a temperatura nas proximidades de onde se encontram. Alumínio, via de regra se funde a 630 graus Celsius. O vidro comum em torno de 1000 a 1200 graus Celsius. Enquanto os plásticos de maneira geral se fundem a temperaturas bem mais inferiores.
Nunca, no entanto, um desses fatores pode ser considerado sozinho, para efeito de determinação do foco de um incêndio. Sempre deve estar relacionado com outros fatores até mesmo as informações prestadas por testemunhas, Corpo de Bombeiros e pessoas que viram o evento ou ajudaram no seu combate.


8.7.18. Determinação do Agente Ígneo


O segundo passo importante na investigação de incêndio com relação à busca da sua causa é identificar o agente ígneo que provocou a reação de combustão.
Os agentes mais conhecidos como já dissemos são: Centelha elétrica, curto circuito, superaquecimento da rede de energia elétrica, atritos diversos, energia solar concentrada, descargas atmosféricas, pontas de cigarros, restos de velas e outros.
Vazamentos de gás apesar de não constituírem agentes ígneos, se encontram relacionados, pois devido a suas características, qualquer faísca por pequena que seja é suficiente para dar início ao fenômeno. Qualquer desses agentes quando relacionados à causa do sinistro devem ser encontrados na região do foco inicial das chamas.


8.7.19. Determinação da Causa do Incêndio


A determinação da causa de um incêndio na maioria absoluta dos casos se encontra na região do foco inicial das chamas e, está relacionada com o agente ígneo encontrado. Este diagnóstico deve ser concluído quando devidamente relacionado aos demais fatores e vestígios presentes no palco do evento.
Um curto circuito mesmo na região do foco pode ser causa determinante de um incêndio, quando outros fatores não intencionais contribuem para a ocorrência do mesmo e nenhum outro seja mais provável do que ele.
A presença de restos de uma caixa de fósforos, ou restos do material de uma vela no local do foco, pode ser considerada como causa humana intencional, quando outros fatores forem devidamente relacionados a este.
Sobras de solda podem indicar causa humana, seja intencional ou acidental, mediante a presença de outros fatores que levam ao mesmo raciocínio.
Pode também a causa ser evidenciada mediante eliminatória de hipóteses não confirmadas, ou a somatória de fatores concorrentes.


8.7.20. Estudo da Extensão dos Danos


O estudo da extensão dos danos em local de incêndio, leva ao raciocínio da determinação dos prejuízos, sejam pessoais, materiais ou morais. A constatação de todos os materiais danificados, os serviços prestados e todas as perdas ocorridas em função do evento contribuem para a avaliação da pena. Pesquisar e avaliar todas as perdas no palco de um evento do tipo incêndio é tarefa que envolve muitas vezes raciocínio técnico como subjetivo. Informações dos proprietários e interessados, documentos e outros analisados mediante outros procedimentos.



8.7.21. Informações Úteis para a investigação de incêndios


O perito em investigação de incêndio precisa conhecer o comportamento dos principais materiais combustíveis quando se inicia e quando se instala uma reação de combustão. Os ambientes e as relações de todos os fatores relacionados ao desenvolvimento do incêndio.
Apresentamos alguns dados de pesquisadores já comprovados e aceitos pela comunidade científica internacional, quando em processo de combustão ou simplesmente quando aquecidos. Eles ajudam a entender a dinâmica de um evento dessa natureza.
_A temperatura normal de um incêndio considerado corriqueiro pode chegar 1.1000 C.
_Prédios contendo em seu interior, madeira, papéis e plásticos, a temperatura media gira em torno de 500 a 6000C guardadas as devidas proporções em termos de quantidade.
_O cigarro queima a aproximadamente 8350C a 8840 C36.
_A madeira, via de regra, se inflama entre 2700C a 2900C e sua ignição em torno de 5000C a 7000C37.
_Fósforo possui temperatura de combustão torno de 8000C.
_­Carvão vegetal possui ponto de ignição entre 4550C e 4750C.
_O Etanol a 70% possui ponto de ignição em 5100C e ponto de ignição e torno de 3600.
_Carvão possui temperatura de combustão em torno de 3.0000C.
_Alumínio se funde a aproximadamente 6600C.
_Vidro se funde a aproximadamente 8000C a 10000C41.
_Ouro se funde a aproximadamente 9600C.
_Prata se funde a aproximadamente 1.0650C.
_Cobre dos fios se funde a aproximadamente 1.0830C42.
_Cobre (latão) se funde a aproximadamente 8950C43.
_Ferro gusa se funde a aproximadamente 1.5350C44.
_Zinco se funde a aproximadamente 4190C45.

Mudança de cor nas estruturas de concreto indicam a temperatura a que o local esteve submetido durante o incêndio. Cor rosa indica uma temperatura em torno de 3000C. Cor roxa indica uma temperatura em torno de 5500C. Vermelho pálido indica temperatura em torno de 6000C. Cinza esbranquiçado indica temperatura em trono de 6500C. Amarelo alaranjado, temperatura em torno de 9500C. Amarelo claro em trono de 10000C.
A duração média de incêndios depende da quantidade e da natureza dos combustíveis, e da quantidade de oxigênio por m/2 no ambiente, juntamente com outros fatores.



Figura 44 – Não havendo aberturas no ambiente a tendência do fogo é concentrar e queimar todo o oxigênio do local até extinguir-se, formando mancas de fumaça na parte superior e nas proximidades do foco.




Figura 45 – Havendo abertura numa das laterais o fogo terá ação mais intensa no sentido dessa abertura em função da alimentação do mesmo pelo Oxigênio.



Figura 46 – Escadas e ductos (corredores), arrastam o fogo, em função da corrente de ar e presença de Oxigênio que alimento o local através dos mesmos.




Figura 47 – Com o calor a madeira começa e liberar gases inflamáveis fazendo com que a haja trincas (espaços abertos) facilitando ainda mais a liberação dos gases. Esses gases são formados inicialmente por resinas da própria madeira. No final resta o carvão.







________________________________________________________________________________






















9. EXAMES REALIZADOS EM LABORATÓRIO


9.1. Considerações


Assim como os exames realizados nos locais de crimes possuem métodos e técnicas próprias para cada um, os exames realizados em laboratório também são pautados por sistematizações específicas. Mesmo porque a metodologia científica aplicada à criminalística prevê e estabelece esses procedimentos. Não adiante querer fazer exame em pasta de cocaína usando reagentes e métodos para testes de maconha. Não dará certo. Não adianta usar reativo de Fray para pesquisa de Nitrito. Não dará certo. Portanto, para cada necessidade, para cada tipo de substância, existe uma maneira, ou seja, um método com todos os aparatos necessários e específicos para realizar o exame. A ciência se comporta de acordo com princípios determinados pelos procedimentos, para cada exame e para cada necessidade. Para pesquisar metais pesados, exigem-se equipamentos específicos e metodologia também específica. Diz o princípio da especificidade. Certamente não vamos adentrar na sistematização de cada tipo de exame, pois não é propósito desse livro. Existe literatura orientada nesse sentido quais sejam. Metodologia Científica e Perícia Criminal46 e também Criminalística Procedimentos e Metodologias47. Existem ainda manuais específicos para cada exame e para cada necessidade criminal.
Para tanto queremos abordar de maneira superficial, alguns exames de laboratório forense, os quais, a criminalística trabalha em todo o território nacional e praticamente em todos os países, com alterações de especificações, detalhes da filosofia de trabalho, condições socioeconômicas e cultura de cada estado e cada país.
Muitos desses exames visam verificar se uma situação, um componente fabricado, ou um produto, ainda uma determinada substância, atende aos parâmetros determinados por Normas Técnicas e outros dispositivos padronizadores os quais por sua vez atendem a decretos e leis específicos da União, dos Estados e dos Municípios. Também se esses produtos se encontram relacionados com algum tipo de crime.
Por exemplo, a qualidade da água de um curso hídrico que é classificada de acordo com o seu uso deve atender a especificações determinadas por leis federais, estaduais e municipais.
Da mesma forma a qualidade do ar é prescrita por entidades mundiais, federais, estaduais e municipais.
Quando se fabrica, por exemplo, um transformador para ser usado na linha de transmissão de energia elétrica, um automóvel, um equipamento ou produto qualquer, este deve atender a normas técnicas que por sua vez atendem às leis do país.
Quando se realiza uma perícia em muitos casos essas normas devem ser observadas, para se tornar o árbitro da qualidade daquilo que é examinado. Isto, tanto em trabalho de campo, como de laboratório. Estando fora das especificações em si já constitui crime.
Para a determinação se uma substância é tóxica, entorpecente ou não, usa-se uma técnica específica com reagente específico, para produzir uma determinada coloração. Não se produzindo a coloração específica, é por que a substância não é a suspeita.
Os laboratórios de criminalística, dessa forma, devem estar equipados para atender essa demanda, que a cada dia é maior e mais complexa, em função dessas exigências.
Muitos exames são realizados em laboratórios de órgãos do governo, de universidades e até mesmo, particulares. O Código de Processo Penal, porém, é muito exigente quanto a elaboração da prova material do crime. Se ela for realizada por um órgão não qualificado legalmente, ou por uma instituição também não reconhecida, da mesma forma, pode perder sua eficácia perante o judiciário. Mesmo porque a instituição qualificada legalmente para esse fim é a polícia técnica de cada unidade da federação, ou, sendo o caso pela unidade da Polícia Federal. Portanto, em se tratando de exames realizados por outras instituições, é necessária a avaliação e as considerações necessárias por parte do perito legalmente investido e oficialmente indicado para o referido exame. Cabe, portanto, ao perito ao usar desse recurso tecer no seu laudo as necessárias considerações, a fim de dar esclarecimentos e até meso o seu aval ao resultado de tais procedimentos.


9.1.1. Exames realizados pelo IML

Por força de legalidade os exames no corpo da vítima, de maneira geral, são realizados pelo médico legista em ambiente de laboratório. Um dos exames realizados é a Necropsia.
Em determinados casos uma necrópsia podem até ser realizados no local onde o crime foi perpetrado, mas na maioria absoluta dos casos é necessário que seja realizada, ou complementada em condições propícias. Ou seja, em ambiente de laboratório, onde existem melhores condições de trabalho, e uso de equipamentos que auxiliam e facilitam, ampliando a visão e a sensibilidade do profissional. Onde fatores técnicos podem ser controlados mais facilmente.
A necrópsia é por definição, o exame realizado no corpo da vítima quando fatal. Consiste, no exame externo e interno, com os recursos da incisão, do escalpo da introdução de bastões para definição de trajetórias de perfurações, e constatações de lesões de tecidos internos. Da retirada de vísceras e partes de órgãos para exames em laboratório próprio. Da retirada de objetos como projéteis e outros, além da verificação e caracterização das lesões. É realizado sob a responsabilidade do médico legista.

Objetivos da Necrópsia:
_Verificar se houve lesão;
_Verificar os órgãos lesionados;
_Discriminar e descrever as lesões bem como as ferramentas que as produziram;
_Verificar se houve morte;
_Verificar a causa biológica da morte.

Recursos como raios-X para localização de objetos introduzidos no organismo, bem como a presença de fraturas, auxiliam o médico legista nos exames. Escalpo e abertura do crânio e demais partes do corpo, tem como objetivo a verificação das lesões internas e, a realização de todos os procedimentos.
Com o diagnóstico, a datação do tempo da morte, a determinação do sexo, idade e demais características físicas de ossadas ou parte delas, é, sem dúvida, de grande importância para o esclarecimento de crimes das mais diversas ordens.
Uma necrópsia mal feita onde detalhes não são observados, leva a erros tanto do desenrolar das investigações como na aplicação da pena. Por isso é imprescindível o acompanhamento desses exames, pelo médico legista, uma vez que ele é o responsável pelos resultados dos exames realizados.
Certa feita o funcionário do IML entregou na Seção de Balística Forense três projéteis de igual calibre, retirados do corpo de uma vítima de homicídio. Posteriormente soube-se que o óbito se tratava de uma vítima de atentado, quando três pessoas participaram, desferindo vários disparos com armas de calibres diferentes. Em conversa com o médico legista que realizou a necrópsia, ele relatou que como já havia encontrado três projéteis, certamente esses três seriam suficientes para a identificação da arma que desferira o disparo fatal. Engano, pois, como participaram do atentado mais de uma pessoa, usando mais de uma arma, certamente a investigação deveria apontar mais de um suspeito, e que a pena deveria ser diferente para cada um dos que participaram do crime. Quem desferiu o tiro fatal, certamente teria maior pena.
A justiça precisa saber qual o disparo letal, ou aquele que é capaz de provocar a morte, ou mesmo, se qualquer um dois seria fatal.



































Figura 47 e 48 – Necropsia executada no Instituto Médico Legista. Abertura de Tórax e de Crânio.


Exames realizados no corpo do vivo são também importantes, para constar lesões e traumas diversos, bem como para avaliar o estado geral de saúde com a finalidade forense. São exames realizados pelo médico legista no exercício de suas funções. Pessoas que sofrem agressões físicas e psicológicas, quando relacionadas a inquéritos policiais, carecem dos exames, pois tanto na investigação quanto na fase de processo, os procedimentos precisam conter informações precisas para o estabelecimento de penas. São diversos os motivos que geram agressões físicas e psicológicas no ser humano, e quando isso acontece e é instaurado um procedimento policial há por força das leis civis e penais a necessidade do exame no corpo da vítima.
É comum, o exame de corpo de delito, no corpo do vivo, preso pela polícia, ou vítima de agressões por motivos diversos. Tanto a Polícia Militar como a Polícia Civil, quando promovem a detenção de um suspeito, a legislação exige que se façam exames para a constatação de sua integridade física e psicológica, pois o Estado é responsável pela sua integridade.
Abusos contra mulheres e crianças devem ser registrados com exames de corpo de delito no corpo da vítima. Havendo um procedimento criminal contra o agressor, o exame de corpo de delito deverá comprovar e avaliar o ato.





______________________________________________________________________





9.2. Perinecroscopia

A perinecroscopia é, portanto o exame externo de um cadáver e é realizado pelo perito criminalístico. Isto, porque quando o legista inicia os exames no cadáver ele o faz pela parte externa e aprofunda-se no interior do corpo, quando há necessidade. O perito por sua vez inicia na parte superficial do corpo e se estende para o local onde esse corpo foi encontrado, até os limites do palco onde o fato se deu.
Não há limite estabelecido para constituir barreira exata para o domínio do médico legista, nem para o perito criminal. Não havendo essa definição o médico tanto examina a parte interna como a externa do corpo. O perito criminal por sua vez também deve examinar a parte externa do corpo descrevendo suas condições, posição em relação ao ambiente, as lesões encontradas e outras situações pertinentes. Definindo o tipo de instrumento que produziu cada lesão porventura encontrada nesse corpo, e quando possível se foram produzidas antes ou depois da morte. Cada circunstância encontrada deve ser examinada, e feita a coleta de vestígios para os mais diversos exames de laboratório, com o propósito de estabelecer a causalidade da morte.

Consiste a perinecroscopia:
_ Na caracterização das lesões, o que indica o tipo de ferramenta, a forma que ela foi produzida, e se a morte foi produzida em função da mesma.
_Na Caracterização da dinâmica circunscrita ao fenômeno.
_No levantamento de impressões digitais no corpo com vistas à possível identificação da autoria da morte;
_Na identificação da vítima quando necessário;
_Na determinação das características físicas do corpo, para posteriores exames com vistas ao esclarecimento da morte;
_Na identificação da indumentária;
_Na determinação do tempo de morte;
_Na determinação da causa jurídica da morte.

Quando da realização da perinecroscopia, a indumentária, os resíduos de origens diversas, substâncias, e tantos outros objetos, quantos estiverem no local e que puderem de certa forma estar relacionados com o crime, com a vítima e o criminoso, são recolhidos pelo perito e enviados para laboratórios específicos para exames complementares. Estes auxiliarão nas conclusões a respeito do caso. Objetos, substâncias, bem como as condições em que se encontra o local, produzem respostas no sentido de esclarecer a causa do evento e estabelecer o elo entre evento e sua autoria.
Os exames devem começar, onde o corpo foi encontrado ou, onde o crime transcorreu. Considerando suas imediações e locais relacionados, e devem continuar nos laboratórios. No local onde o evento ocorreu, não existem as condições necessárias para a realização de todos os exames necessários. Muitas vezes o corpo precisa passar por limpeza e por procedimentos diversos onde são observados todos os detalhes, por mínimos que sejam. Os detalhes que faziam parte do corpo anteriormente ao evento, bem como os que foram adquiridos por ocasião do evento. Todos são de suma importância, pois a resposta para a solução dos crimes encontra-se nos vestígios produzidos antes durante e posteriormente à morte. Portanto, não deve o perito criminal, bem como médico legista, deixar de considerar tudo, mesmo que apenas aparentemente relacionado com um evento criminoso.
Um corpo que foi encontrado com uma corda amarrada ao pescoço, pendurado no interior de uma casa, pode não ter como a causa de sua morte, enforcamento, mas homicídio. Pode ser o caso de uma simulação de enforcamento para esconder a verdadeira causa. Portanto, exames detalhados e minuciosos, muitos deles somente determinados em laboratório, é que dirão a verdade do que realmente ocorreu.
Um corpo encontrado dentro de uma piscina, pode não ter como causa da morte o afogamento. Este fato pode ter sido praticado para ocultar a verdadeira causa.
Somente exames bem realizados, tanto no local como no corpo em laboratório, feito pelo perito criminalístico e pelo médico legista, podem dar a resposta da verdadeira causa da morte. A presença ou não de água nos pulmões de uma vítima de um possível afogamento, indicará a resposta correta.





____________________________________________________________________









9.3. Balística Forense

Desde que surgiu o primeiro objeto ou a primeira máquina destinada a arremessar um projétil com auxílio da expansão dos gases gerados pela combustão da pólvora, tem sido preocupação da ciência e da justiça, o estudo dos efeitos desses projéteis quando relacionados a crimes. Desde que surgiu a balística forense, novas técnicas, novos equipamentos e novos sistemas, tem surgido, para estabelecer um efetivo controle na apuração dos fenômenos relacionados com a arma de fogo e sua munição. Sempre com o propósito de estabelecer a ligação entre o fato e sua autoria, ou seja, o crime e o criminoso. Surgiu a pesquisa de chumbo, a datação do tempo de um disparo, a constatação, o primeiro microscópio e por fim os sistemas informatizados. Técnicas estas que vem sendo modernizadas e atualizadas de acordo com as necessidades e os avanços tecnológicos. Todos para dar suporte a uma melhor definição de situações relacionadas com o crime praticado com arma de fogo e, o estabelecimento de um elo entre a arma, o fato e o criminoso.



9.3.1. Balística Forense – Conceito


Para o perito Dr. Domingos Tocchetto48, Balística forense é uma disciplina, integrante da Criminalística, que estuda as armas de fogo, sua munição e os efeitos dos tiros por elas produzidos, sempre que tiverem uma relação direta ou indireta com infrações penais, visando esclarecer e provar sua ocorrência.

São, portanto, objetos de estudo da Balística Forense, as armas de fogo, as munições, e os efeitos dessas sobre os diversos alvos pesquisáveis e, também a sua relação com o ato delituoso e seu autor.


9.3.2. Objetivos da Balística Forense

Tem a balística forense, como objetivo principal, o esclarecimento das infrações penais cometidas com armas de fogo e suas munições e, a identificação do autor dessas infrações.


9.3.3. Principais Problemas Estudados pela Balística Forense


Segundo o perito Eraldo Rabelo49, a Balística forense se preocupa em esclarecer problemas de ordem Médico Legal e de ordem Criminalística.

-A trajetória do projétil dentro e fora do corpo atingido;
-As características da lesão produzida pelo projétil;
-A distância do disparo, ou seja, a distância em que a boca do cano da arma se encontrava do alvo;
-Os efeitos do tiro sobre os diferentes alvos;
-A indicação do autor do disparo;
-A identificação mediata e imediata da arma usada no crime.


9.3.4. Principais Problemas de estudados pelo Médico Legista


-Verificação dos órgãos atingidos pelo projétil;
-Verificação da trajetória do projétil dentro do corpo da vítima;
-Identificação do tipo de arma utilizada para produzir a lesão;
-Determinação da causa biológica da morte da vítima.



9.3.5. Classificação Geral das Armas de Fogo


Para efeito didático, em função da grande variedade de tipos de armas de fogo ao longo dos anos achou-se conveniente efetuar uma classificação dessas armas, a partir do modo de fabricação, do princípio de funcionamento, modo de carregamento e outros:



9.3.6. Identificação das Armas de Fogo

A identificação das armas de fogo50 de acordo com Domingos Tocchetto é feita através do estudo das características genéricas e individuais da mesma. Pode ser direta ou indireta de acordo com a sistematização dos exames.
Em Balística Forense, entende-se por identidade ao conjunto de características inerentes de cada arma, as quais permitem a sua identificação. Pode ser civil ou física. É o processo pelo qual a arma é identificada, o seja conhecida.
Conhece-se um objeto, ou identifica-se um objeto, através da evidenciação de suas propriedades ou de suas características genéricas e específicas.

Identidade civil.
A identificação civil de uma arma de fogo é feita através da documentação de fabricação, da identificação de propriedade e dos documentos de porte.

Identificação física.
A identificação física é feita através do estudo dos elementos físicos inerentes a essa arma, quais sejam, o número de série, número de propriedade, marcas de fabricação e marcas de uso.
A identificação, portanto, pode ser entendida também como o processo pelo qual se individualiza uma arma através de suas características. Pode ser direta e indireta.
De acordo com as necessidades e das oportunidades opta-se por uma delas.


9.3.6.1. Identificação Direta ou Imediata das Armas de Fogo

A identificação direta ou imediata de uma arma de fogo é feita através do estudo dos vestígios encontrados na própria arma. São características peculiares distintivas. É feita através do gênero o qual distingue uma arma da outra, ou seja, revolver, pistola ou outro qualquer.
Identifica-se uma arma de fogo de forma específica através do seu gênero. Exemplo revolver marca Taurus e revólver Marca Rossi.
Identifica-se de maneira individual entre armas da mesma espécie, ou seja, pelo modelo, calibre e número de série.


Figura 49Revolver: Arma de fogo com marca e número de série


9.3.6.2. Identificação Indireta ou Mediata das Armas de Fogo

A identificação indireta ou mediata das armas de fogo é feita através do estudo das suas características individuais, que são transferidas para os seus elementos dinâmicos. É feita através da comparação do elemento suspeito com um padrão. Assim, um projétil incriminado, que foi retirado do corpo da vítima é comparado através de equipamento adequado com um padrão que foi colhido metodicamente da arma suspeita. Para essa comparação usa-se um microscópio comparador específico para esse fim, ou de sistema de comparação informatizado.

O cano da maioria das armas de fogo é fabricado com ranhuras, denominadas de raias, as quais quando o projétil passa pelo seu interior ficam gravadas no mesmo essas marcas, que são na verdade sinais macroscópicos. As raias são inclinadas com relação ao eixo longitudinal do cano, por um motivo específico. Produzir no projétil um movimento helicoidal, ou seja, em torno de seu próprio eixo, com o propósito de melhorar a sua estabilidade durante o percurso fora do cano.
Além das raias que ficam marcadas no corpo do projétil, ele recebe também marcas paralelas, que são sinais microscópicos, constituindo elementos seguros para a sua identificação, ou seja, sua relação com o cano da arma que o expeliu.

Não existem dois canos com características iguais. O princípio de Lavoisier diz que não existem duas coisas ou fenômenos iguais. Assim, a identificação da arma através desses elementos, é de probabilidade próxima a 100%.
Durante a produção do disparo com uma arma de fogo, seu pino percutor produz na base do estojo ou da espoleta, um sinal típico, o qual permite a identificação da arma através desse sinal. A técnica para essa identificação, à semelhança do projétil. É feita comparativamente entre um elemento incriminado e outro produzido com a arma questionada.


Figura 50 – Processos de identificação indireta. Pelas marcas nos projéteis, nos estojos e nas espoletas.


No caso de armas automáticas e semiautomáticas, como pistolas, metralhadoras, submetralhadoras, fuzis e rifles a identificação pode ainda ser feita através das marcas produzidas pelo extrator e pelo ejetor. Esses elementos se prestam a extrair e ejetar a cápsula deflagrada, para a introdução de outro elemento de munição na câmara de combustão da referida arma de fogo. Tanto o extrator que arrasta o estojo para fora da câmera de combustão, como o ejetor que o expele para fora da arma, produzem marcas características na sua base, as quais permitem a sua identificação, ou seja, o estabelecimento de uma relação entre eles e a arma que os produziram.
Examinando esses elementos, a arma de fogo pode ser identificada através dos vestígios encontrados nos seus elementos ativos.
A princípio as comparações microbalísticas eram realizadas de maneira metódica, porém desprovidas de equipamentos para melhorar a percepção dos peritos. Hoje são conhecidas diversas gerações de microscópios comparadores, com excelentes recursos para a identificação da arma que expeliu um determinado projétil. Fabricantes e montadores desses microscópios fazem suas distribuições pelo mundo inteiro oferecendo também a manutenção dos mesmos. O processo de identificação da arma que expeliu um determinado projétil evoluiu para os processos informatizados, onde equipamentos de precisão efetuam o escaneamento tanto do projétil padrão como do projétil incriminado. Essas imagens são lançadas no banco de dados, e um softwer especializado efetua a comparação a partir das informações arquivadas. Essa operação é feita em tempo mínimo oferecendo um número de projéteis prováveis.
Uma das grandes vantagens dos sistemas informatizados é a agilidade com que efetuam a busca no banco de dados. É muitas vezes mais rápido que o olho humano do perito. Outra vantagem é a possibilidade de se constituir um banco de dados o qual é vasculhado pelo sistema, toda vez que outro projétil de arma apreendida entra para ser pesquisado. O projétil de cada arma apreendia pode ser comparado como todos os projéteis do banco de dados. Seja ele estadual o nacional. Caso haja um crime praticado no passado e não resolvido, com certeza ele será relacionado a ela por esse sistema. Outra vantagem no caso de países continentais como o Brasil, muitas vezes um indivíduo comete um crime em um estado e evade-se para outro, ou vende a arma para outro estado, dificultado a polícia de colocar as mãos no mesmo. O sistema integrado com um banco de dados nacional, e ramais interligados, pode resolver esse tipo de problema. São sistemas caros, mas os resultados são muito bons.

9.3.7. Determinação da Distância do Disparo

Quando um tiro é efetuado a uma distância inferior a aproximadamente 50 cm, são produzidas marcas em torno do orifício produzido pelo projétil. Essas marcas são caracterizadas pela presença tanto de fumaça que acompanha o projétil, pela ação de expansão dos gases aquecidos, como por microfragmentos do projétil, que são desprendidos quando de sua passagem pelo interior do cano da arma. A dispersão deles em torno do orifício produzido pelo projétil é função da fórmula e quantidade de pólvora, das condições da arma e da distância ente a boca do cano e o alvo.
Sendo, então, necessária a determinação da distância de um disparo de ara de fogo, ou seja, a distância em que a boca do cano da arma se encontrava do alvo, no momento em que aconteceu o disparo, existe um procedimento. Isto é feito de maneira aproximada, mas bastante seguro, mediante testes realizados com a arma suspeita e munição semelhante. Para tanto, são efetuados disparos com a arma suspeita, em alvos de tecido branco ou de papel de filtro branco, guardando distâncias preestabelecidas, de 0 cm (encosto), 5 cm, 10 cm, 20 cm e 50 cm da boca do cano até o alvo. Em seguida efetua-se a comparação das marcas de dispersão do esfumaçamento e de incrustação de microprojéteis (partículas de chumbo), da peça questionada, com os padrões produzidos. A este exame dá-se o nome de residuografia.
Armas que possuem compensadores de recuo e outros recursos apresentam características comuns as quais possibilitam o reconhecimento desse modelo o estudo dessas características produz respostas importantes na apuração de um crime.

Muitos crimes são cometidos com uma configuração e posteriormente a defesa do criminoso, tenta dar outra conotação para defendê-lo minimizando a sua pena. Um tiro de encosto ou de curta distância, sem dúvida apresenta uma conotação enquanto que um tiro distante apresenta outra. Dificilmente uma pessoa se defende com uma arma de fogo efetuando um tiro de encosto ou mesmo de curta distância.
É importante a perícia determinar essa distância de tiro, em situações diversas, relacionadas com crimes de todas as naturezas.


Figura 51 – Residuografia para determinação da distância de um disparo.



9.3.8. Determinação do Autor de um Disparo
A determinação do autor de um tiro de arma de fogo é importante do ponto de vista da apuração do crime. Diante de um suspeito, o que se tem a fazer é comprovar primeiramente se esse suspeito efetuou o tiro ou não. Isso é feito com base na possibilidade de pesquisa dos resíduos impregnados nas mãos do atirador. Essas impregnações são constituídas de microfragmentos do material de que é feito e que se soltam do projétil e, da própria pólvora quando acontece o tiro. Esse material adere nas partes das mãos do atirador próximas a empunhadura da arma.
Esses resíduos são, então, removidos das mãos do atirador por meio de mecanismos específicos, como por exemplo, a cobertura do local com fita aderente como esparadrapo. Essa fita quando removida arrasta parte do material que foi depositado no local durante o tiro. Levados para o laboratório químico, através de reações específicas revelam a presença do material. Predominam o Chumbo, o Cobre, o Antimônio e o Bário, que são constituintes da munição.
O exame químico tradicional, que constata apenas a presença de chumbo, deixou de ser usado, porque um grande número de produtos usados e manipulados no dia a dia possui Chumbo em sua composição. Assim sendo, erros jurídicos muitas vezes irreparáveis podem ser induzidos pelo resultado desse exame. Pesquisas comprovaram que não é uma técnica confiável, por isso deixou de ser usada.
Exames que apresentam resultados mais consistentes são realizados com microscópios eletrônicos de varredura os quais constatam a presença das quatro substâncias básicas citadas. O Antimônio, o Bário, o Cobre e o Chumbo. O exame realizado com microscópio eletrônico de varredura é altamente confiável, e está em uso no lugar do exame químico, pesquisa de chumbo, que apresenta uma margem de erro muito grande.
Pesquisas estão sendo desenvolvidas no sentido de identificar uma quantidade maior de elementos e assim dar maior confiabilidade aos exames químicos, uma vez que estes são mais viáveis do ponto de vista econômico.
Esta é outra questão que a ciência forense pode ajudar a esclarecer e comprovar um grande número de crimes. Infelizmente, no Brasil pouco tem sido feito em termos de investimentos e aquisição de equipamentos de alta tecnologia. A determinação da presença destas três substâncias na mão de um indivíduo suspeito de crime com arma de fogo, pela técnica MEV, têm um valor elevado.
Dificilmente um profissional executa suas tarefas diárias contaminando suas mãos com esses três elementos de uma vez, especialmente considerando as áreas mais comuns. Por isso é importante que todas as três substâncias sejam detectadas para se formar um grau de certeza absoluto, quando se trata verificar se um indivíduo usou ou não uma arma de fogo.


Figura 52 – Sinais produzidos pelos resíduos de um disparo de arma de fogo nas mãos do atirador.

9.3.9. Determinação da Época do Disparo

Para uma maior certeza quanto ao uso de uma determinada arma com relação a um crime, a datação do último tiro efetuado com esta, é de suma importância. A determinação da data, ou do tempo transcorrido da época de um tiro com arma de fogo, é feita através de um exame químico realizado nos remanescentes da combustão da pólvora na câmara de combustão e no cano da mesma, ou ainda nas cápsulas deflagradas.
_Conceituando como tiro, a ação eficiente com o mecanismo de disparo de uma arma de fogo. Aquele cuja percussão da espoleta, permite a deflagração da carga explosiva da munição, com consequente dinamização do projétil.
Consiste, então, o exame na pesquisa dos elementos oriundos das reações químicas periódicas e sucessivas dos elementos ativos da munição. Os principais elementos pesquisados são, Nitrato, Nitrito, Sulfato e Sulfito. Tais reações ocorrem dentro de determinado prazo, número de dias, ou horas, se transformando em outros subprodutos.
Vale lembrar que esse exame pelo método químico, não é mais usado, pois fatores relacionados com a sensibilidade das reações interferem prejudicando e retirando a confiabilidade dos mesmos. Durante o seminário de Balística forense realizado pela ABC, na cidade de Porto Alegre no ano de 1996, ficou determinado que não seriam mais realizados os exames de recentidade de disparo em armas de fogo, com o propósito de datar o último disparo. Ou então, quando realizados, que observações acompanhem os laudos, esclarecendo a possibilidade de erro.


9.3.10. Determinação da Arma Usada na Prática do Crime

É este o questionamento frequente que se faz quando acontece um crime por meio de arma de fogo. Qual a arma que expeliu o projétil que atingiu a vítima? O exame para determinar qual arma efetuou um determinado tiro denomina-se confronto microbalístico ou simplesmente confronto balístico.
Quando isso ocorre, é necessário ter em mãos o projétil retirado do corpo da vítima, ou encontrado no local do crime, o qual é denominado de projétil questionado. É preciso também ter a arma suspeita, pois a perícia trabalha com probabilidades.
Dessa forma quando acontece um crime por arma de fogo, o médico legista retira o projétil do corpo da vítima e o envia à seção de Balística Forense para arquivo ou para os exames que se seguem. Durante as investigações apreende-se uma arma suspeita e esta também é enviada à seção com o questionamento. O projétil retirado do corpo da vítima foi expelido pela arma apresentada?
A perícia então de posse do projétil e da arma procede aos exames necessários. Primeiramente a arma é examinada com vistas a sua identificação física e previsão de possível funcionamento. O projétil também é examinado com vistas a uma série de possibilidades. Uma delas é a identificação do calibre e do tipo de arma que o expeliu. Coincidindo com o calibre e o tipo de arma apresentada, outros exames têm sequência.
De posse da arma, o perito efetua disparos com munição semelhante ao projétil questionado. Faz isso em material adequado para não danificar as características do projétil, adquiridas quando de sua passagem pelo cano da arma. Usam-se normalmente, pastas de algodão, gel ou água. Qualquer dessas metodologias empregadas é técnica recomendável, desde que sejam observados os parâmetros para cada arma e munição. O projétil produzido dessa forma recebe o nome de projétil padrão.

O projétil padrão e o questionado são marcados na base para não haver mistura durante os exames. São então levados ao microscópio comparador, o qual trabalha com dois conjuntos de objetivas, suportes móveis e iluminação. Ainda ocular e máquina fotográfica com seus acessórios. Independentemente do sistema, ou da marca do microscópio comparador utilizado a sistemática é sempre essa.
No microscópio, o projétil padrão é colocado em um das plataformas e o projétil questionado na outra. Essas permitem a movimentação em todos os sentidos com cada um deles de forma independente. Permitem também aumentos escalonados através das objetivas de maneira independente.
Para a identificação efetiva de uma arma através dessa técnica é necessário que haja coincidência no calibre dos projéteis, no tipo de arma que os expeliram, no número e na largura das raias dos mesmos, e coincidências das estrias existentes neles e que são percebidas apenas com uso do microscópio comparador.
O sistema permite fotografar em vários aumentos o campo focado, o qual visualiza os dois projéteis. Questionado e padrão. Sabendo-se que o campo visualizado pela ocular e pela máquina fotográfica mostra os dois projéteis, ou parte deles, dependendo da objetiva usada para tal.

O Confronto balístico para efeito de identificação da arma pode ser realizado, entre os estojos incriminado e padrão, os quais recebem quando o tiro é efetuado, sinais no culote, e nas laterais da base quando o mecanismo de ejeção entra em ação, isto, de acordo com o tipo de arma.


Figura 53 – Confronto de projéteis: Lado esquerdo o projétil questionado e lado direito o padrão.


Figura 54 – Confronto de estojos: Lado esquerdo o estojo questionado e lado direito o padrão.



9.3.11. Tiro Involuntário

Um dos constantes problemas relacionados a tiros com armas de fogo, sem dúvida é o chamado tiro involuntário. Muitas vezes equivocados com tiros acidentais.
Tiro involuntário, portanto, é aquele, cujo autor não desejava, mas por um motivo ou outro, acontece. Tecnicamente, entende-se como tiro involuntário, aquele efetuado a partir do acionamento do mecanismo de disparo da arma de fogo, sem que haja a vontade expressa do atirador.
Esse disparo é efetuado mediante tensão, trauma ou qualquer efeito psicológico de ordem involuntária.
Entende-se, que muito embora o autor o faça sem vontade expressa, é um ato previsível. Considerando-se que uma arma de fogo possui um mecanismo sensível e que se destina a provocar lesões mortais. Isso é fato conhecido, portanto, pode ser evitado com uso racional da arma. Possui uma conotação jurídica específica para cada caso, uma vez analisadas as circunstâncias técnicas em que o tiro foi produzido.
Uma arma de fogo é um engenho simples, porém de grande eficiência para o resultado a que foi designada. Portanto, atitudes como a brincadeira da “roleta russa”, que na verdade é uma estupidez, veicula uma grande probabilidade de que o tiro aconteça.
O fato de uma pessoa ameaçar outra, tendo-o na mira de sua arma, enquanto discutem fervorosamente, assume uma configuração de alta probabilidade de descontrole emocional.
Um veículo conduzindo policiais com arma em punho, ao passar por buracos ou quebra-molas na pista, de maneira repentinamente, pode levar ao tracionamento do gatilho, e consequentemente ao tiro.
No caso de armas sem nenhum defeito, o tiro sempre acontece pelo tracionamento do seu gatilho.
Ações de policiais em que mantém o dedo no gatilho de sua arma enquanto correm, saltam ou tomam outras providências, são passíveis de ocorrência de disparos involuntários. Durante essas ações, o sistema nervoso se encontra em grande atividade, concentrando energias em parte do corpo. Eventualmente o dedo pode tracionar o gatilho da arma produzindo o tiro.
Portanto, o tiro involuntário não deve ser confundido com acidente. A seguir, veremos o que vem a ser tiro acidental.



Figura 55 – Arma de fogo e mecanismo de disparo


Certa ocasião, eu prestava serviços na Seção de Balística Forense, e deu-se a entrada em um revólver calibre 38, com histórico de tiro acidental, para ser examinado com vistas à comprovação dessa possibilidade.
“Dizia o histórico que o portador da arma, um policial civil que se encontrava em diligência, acompanhado de outros policiais, em perseguição a suspeitos. Esses se trafegavam em uma motocicleta. Percorriam por uma avenida movimentada da cidade, tendo o policial que se encontrava do lado direito do veículo, um revólver em punho. Quando o veículo que se encontrava o policial passou sobre um quebra-molas, ocorreu o disparo vindo o tiro atingir o garupa da motocicleta o qual veio a óbito em consequência do ferimento. Durante os exames, ficou constatado que a arma não tinha em seu mecanismo nenhum defeito que caracterizasse um tiro acidental. Caracterizamos o fato como tiro involuntário, segundo recomendações dos autores conhecidos. Como justificativa, o fato de se encontrar o policial sob pressão, quando perseguia acompanhado de outros, pessoas suspeitas que se encontravam em movimento, possivelmente se negando a parar para se identificarem e, ainda mais, em uma via de trafego de cidade grande em meio a pessoas e veículos. Realmente uma situação de estresse. Diante do movimento brusco do veículo sobre o quebra-molas, aconteceu o movimento involuntário do dedo sobre o gatilho provocando o disparo e consequentemente o tiro. A situação pode ter sido agrava pelo fato de o condutor do veículo policial se encontrar também sob pressão, não percebendo o quebra-molas ou passando sobre este sem maiores cuidados levado pela necessidade de deter os motoqueiros fugitivos. Nesse caso o tiro acorreu não por vontade do atirador, mas uma ação involuntária de se sistema nervoso.


9.3.12. Tiro Acidental

O tiro acidental possui uma conotação específica. A ação que leva a ele independe da vontade do agente, bem como dos fatores citados no item anterior. Depende basicamente do estado de funcionamento da arma, e do tipo de mecanismo que ela possui.
As armas modernas são dotadas de dispositivos que dão a elas, total segurança no que diz respeito a tiros, quando usadas convenientemente. Esses dispositivos permitem o total controle sobe o mecanismo das mesmas. Tiros só acontecem pela liberação ou pelo rompimento do mecanismo. A liberação se dá pelo tracionamento do gatilho, enquanto que o rompimento se dá pela quebra da de sua resistência. Caso contrário o pino percutor não pode alcançar a munição.
De maneira geral, para que um tiro aconteça o gatilho da arma precisa ser pressionado. Seja por vontade expressa ou não.

Considerando dois indivíduos em luta corporal, estando um deles com uma arma de fogo em punho e o dedo no gatilho; acontecendo um tiro nessas condições, tecnicamente ele não pode ser considerado acidente, pois era previsível. O gatilho foi tracionado, mesmo que pela involuntariedade do sistema nervoso da pessoa que mantinha a arma. Por outro lado, se uma arma sofrer um choque e acontecer o tiro e, durante os exames for contatada alguma avaria no mecanismo de segurança, tem-se um diagnóstico de tiro acidental.
Portanto, há um diagnóstico para tiro involuntário e outro para tiro acidental. Uma arma com defeito mecânico pode, mediante um pequeno choque em seu cão ou na sua estrutura, produzir ou permitir o avanço do pino percutor sobre a munição e em consequência produzir o tiro.
A queda de uma arma com defeito pode levar ao tiro acidental. O choque mecânico traduzido pela queda de determinada altura pode liberar o mecanismo de disparo e de segurança, levando ao tiro. Isso se encontrando ela municiada e com um elemento de munição na câmara de combustão.


9.3.13. Munições Para Armas de Fogo

O conceito de arma de fogo está intimamente ligado a uma máquina, um projétil, e uma carga explosiva que o impulsiona. Um revólver ou uma pistola, não pode ser uma arma de fogo, quando dissociada dos elementos da munição. A munição por sua vez sem a máquina, revólver, ou a pistola, não funciona convenientemente. Uma arma de fogo, para funcionar como tal, precisa da munição. Sozinho um revólver pode funcionar como uma alavanca, a qual pode ser usada como arma branca.


9.3.13.1. Elementos da Munição
As munições para armas de fogo são constituídas de partes distintas, fabricadas separadamente e agregadas posteriormente para depósito, venda e uso.
Constitui cada elemento de munição, de estojo ou cápsula, elemento para carga iniciadora, de carga explosiva e de projétil.
O estojo ou cápsula é o invólucro destinado a receber o projétil, a carga explosiva inicial e a carga explosiva de efeito expansivo.


Figura 56 – Munição completa com nomenclatura


Existem diversos tipos de cápsulas, destinadas aos diversos modelos de armas. Dos tipos existentes, diversos calibres para se adequarem aos diversos calibres de armas.


Figura 57 – Cápsulas diversas


O projétil é o elemento ativo da munição, o qual é arremessado no espaço, pela força expansiva dos gases em combustão. Existem diversos tipos de projéteis, destinados aos diversos tipos de armas e diversos efeitos desejados. Dos diversos tipos de projéteis, existem diversos calibres para se adequarem aos diversos calibres de armas.




Figura 58 – Diversos tipos de projéteis


A carga explosiva iniciadora é o elemento destinado a dar início à combustão da pólvora. Essa carga é constituída de explosivos iniciadores, ou seja, um tipo que se inflamam mediante choque mecânico, na maioria dos casos. Apresentam características diferenciadas da carga explosiva propriamente dita (pólvora), em função das necessidades propostas. São acondicionadas em pequenas cápsulas denominadas espoletas e, em alguns casos, na orla interna do estojo.

A carga explosiva definitiva é a pólvora, fabricada mediante diversas fórmulas, definidas pelos seus e conhecidas pelos seus componentes. As pólvoras negras, ou pólvoras com fumaça, são fabricadas à base de carvão, enxofre e Nitrato de Potássio e produtos pirotécnicos em alguns casos. As pólvoras sem fumaça são fabricadas a partir de nitroglicerinas ou nitroceluloses acrescidas de substâncias estabilizantes e, dependendo do efeito substâncias pirotécnicas. Estas entram em combustão, ou deflagração, mediante a reação de combustão da espoleta.


9.3.14. Efeitos de Tiros em Diversos Alvos

Estudos de física mostraram claramente que os efeitos do tiro se mostram diferentemente, em função do alvo atingido. Seja o corpo da vítima, tecido muscular ou ósseo, vidro, madeira ou outro qualquer.
Quando atinge o alvo, o projétil deixa além da perfuração, outros sinais visíveis, e latentes, podendo ser percebidos com ajuda de recursos tecnológicos. No corpo humano e alguns outros alvos, pela ordem, do centro para a periferia, além do orifício, primeiramente uma zona de enxugo, em torno do orifício, que de certa forma coincide com uma zona de queimadura. A zona de enxugo é produzida em função da fricção do projétil contra as paredes do tecido. Ele deixa aderido a essa parede, material proveniente do interior do cano resultado da combustão da carga explosiva. Como ele aquece muito em função da explosão da pólvora, ele produz uma queimadura nas bordas do orifício. Seguindo à zona desses vestígios são encontradas as zonas de tatuagem e de esfumaçamento, as quais são produzidas em função do arremesso de pequenos fragmentos de materiais tanto do projétil como da carga explosiva, e da concentração de fumaça oriunda do tiro.
Essas evidências nem sempre são encontradas, pois há que se considerar a distância que a boca do cano da arma se encontrava do alvo. Assim entre os tiros ocorridos entre a mínima e a máxima distância, que pode chegar a 50 cm ou um pouco mais, eles são mais facilmente identificados. São mais evidentes. Distâncias maiores que 50 cm, dependendo da arma e da munição utilizada, principalmente a zona de tatuagem e de esfumaçamento são praticamente inexistentes. Tiros de encosto produzem outros vestígios.
Quando um tiro é efetuado com a boca do cano da arma encostada na pele, ao ser efetuado o tiro, os gazes produzidos pela queima da pólvora, são pressionados para o interior do corpo onde encontram entre a derme e a epiderme e os ossos, uma camada de tecido mias frágil. Nesse ponto, os gases expandem-se deslocando o tecido e formando uma região maior com dilaceração e deslocamento do tecido. Nesse tipo de evento, muitas vezes são encontrados sinais de queimadura na forma da boca do cano da arma, uma vez que esta se encontrava apoiada na pele da vítima e muito aquecida no momento do tiro.
Os tiros que atingem estruturas ósseas, cartilagens, camadas de gordura e demais tecidos do corpo humano ou animal apresentam características próprias e que dependem da distância, do ângulo de incidência e mesmo do tipo de munição e do projétil usado.

Alvos como para-brisas, latarias e outras partes de um automóvel, produzem sinais típicas de cada local e situação. São interpretadas de acordo com a forma e demais características que apresentam.



Figura 59 – Efeitos de tiros em diversos alvos.


9.3.15. Recarga (Reutilização de munições)

Com a dificuldade de comprar munição, imposta pela legislação, e o elevado preço dessas, muitos usuários produzem recarga utilizando em parte material usado e em parte material novo e ainda parte confeccionado pelo próprio montador.
Para a recarga de munições para revólveres, que na maioria dos casos a fazem nos calibres .38, os usuários recolhem os estojos com suas espoletas percutidas e deflagradas e, a partir da limpeza delas fazem a introdução de novos elementos, tais sejam a espoleta, a pólvora e o projétil. Para tanto existem no mercado tanto espoletas como pólvoras e projéteis disponíveis para os usuários. Muitos preferem moldar os seus projéteis a partir de materiais recicláveis e o instrumental adequado para tal.
O uso de munição recarregada pode levar a riscos muitas vezes sérios, pois as cápsulas podem apresentar defeitos de uso repetido. Por outro lado as pólvoras pedem apresentar formulações diferentes da original, muitas vezes com possibilidade de poder de fogo acima do aceitável pela arma que vai receber tal munição. Também o uso de uma quantidade maior do que o suportável pelo estojo e pela estrutura da arma. Todos esses fatores podem levar a riscos para a arma e para o atirador.
Durante os testes com uma arma de fogo destinada a perícia, um revólver calibre .38, usando para tanto, munição recarregada, durante um dos disparos, percebi, (aconteceu comigo) que o som emitido fora diferente do habitual. Senti também uma onda de calor e uma leve irritação na pele do pescoço na altura da veia cervical. Ao passar a mão no local percebi que havia uma pequena quantidade de sangue. Observando atentamente a arma vi que estava diferente, e foi quando percebi que ela não estava com o conjunto do tambor haste e eixo, e que a parte superior da mesma estava empenada, arcada para cima. Acontece que a expansão dos gazes provocada pela explosão da pólvora foi maior que a resistência do tambor e provocou o rompimento deste em duas partes. Uma delas foi arremessada contra o meu pescoço provocando por sorte, apenas um pequeno arranhão. Também o local onde os disparos eram efetuados para testes e coleta de padrões, não era adequado para oferecer a devida segurança. O recipiente usado para coleta de padrões era um tambor de aço, de 200 litros, o qual se encontrava cheio de algodão destinado a amortecer frear o projétil para que fosse resgatado em seguida. Dessa forma de pé ao lado do recipiente segurava a arma e efetuava os disparos sem nenhum tipo de anteparo. O risco de acidente dessa forma era grande. Com armas de fogo, não se brinca.”

9.3.16. Calibre das Munições

Quando se fala em calibre no que se refere a munições para arma de fogo, havemos de considerar calibre real e calibre nominal. Podem vir expressos em milímetro ou em polegada.
Por calibre real entende-se a medida exata da alma do cano da arma em questão, levando-se em conta os limites de tolerância tecnicamente admitidos. Por calibre nominal, ao designativo de um tipo de munição específico, o que muitas vezes se encontra relacionado a um tipo particular de arma.
O reconhecimento do calibre de um elemento de munição é feito pela gravação feita pelo fabricante na base do estojo. Com exceção para a munição de calibre .22 para revólver que não traz essa especificação.
Munições para alguns modelos de armas automáticas e as semiautomáticas a definição de calibre é feito no sistema métrico decimal e são expressos em milímetro ou fração de milímetro. A exemplo a munição para pistola calibre 9 mm, é assim expresso. Para outras armas o calibre é expresso em fração de polegada. Da mesma forma esses calibres são definidos nas munições. A exemplo a munição para revólver calibre .38, mede cerca de 9 mm de diâmetros, para revólver calibre .32 mede cerca de 8mm de diâmetro. A munição para pistola calibre 9 mm mede 9 mm de diâmetro.
A determinação do calibre de um projétil encontrado em um local, ou retirado de um corpo é feito mediante o estudo de suas características físicas, tais como diâmetro da base, comprimento, massa, e material de que é constituído.
Um exame de balística forense bem elaborado pode dar resposta a muitos problemas tanto na fase do inquérito Policial como na fase de Processo. Em função disso é necessário que a Seção de Balística Forense disponha de um número de perito suficiente para gastar tempo na pesquisa, com o propósito de dar respostas certas em tempo hábil. Muitas vezes o que existe não passa de um pequeno fragmento de projétil e mesmo assim, este guarda no seu corpo, vestígios suficientes para identificar a arma que o expeliu. Para se chegar a uma conclusão com relação a esse material o perito precisa efetuar uma quantidade de disparos suficientes para colher padrões até que suas conclusões atinjam um grau de certeza satisfatório.
Cerca ocasião eu e uma perita em balística forense, recebemos na seção um fragmento de projétil retirado do corpo de uma mulher, vítima de disparo de arma de fogo. A delegacia encarregada das investigações apreendeu uma arma suspeita a qual foi enviada para a seção. O projétil retirado do corpo da vítima não passava de um fragmento com deformações em seu corpo. Porém através de peso, pode-se determinar o calibre da arma. Depois de dias de pesquisa, a coleta de um número grande de padrões com a arma suspeita, e através de um microscópio comparador, chegamos à conclusão de que o projétil enviado para os exames, fora expelido pela arma suspeita. As investigações da delegacia concluíram que a morte da mulher fora encomendada pelo próprio marido. A prova que deu sustentação para o processo foi a prova balística. Se não tivéssemos gastado tempo suficiente nos exames, certamente a conclusão seria outra. É costume eliminar projéteis deformados em função do tempo gasto com eles, enquanto uma infinidade de casos fica parada aguardando a sua vez de serem examinados. Isso é prática em muitos lugares. Não é correta, mas em função da carência de peritos na maioria dos estados brasileiros, os peritos trabalham muito em função de prioridades, em prejuízo de muitos outros casos.


9.3.17. Risco de Acidente


Arma não é coisa para se brincar. É o que sempre ouvimos. Durante qualquer treinamento com arma de fogo, seja para tiros de precisão ou para testes forenses, a primeira lição deve ser em relação à segurança, pois realmente, o ditado é verdadeiro. Arma não é brinquedo.
A primeira providência, sem dúvida é verificar se a arma está descarregada. Se estiver carregada deve descarregá-la de imediato a não ser que seja necessário examiná-la da maneira como foi enviada. Atenção especial para as armas automáticas, pistolas e metralhadoras, pois elas dependendo da situação, guardam um elemento de munição na câmara de combustão pós a retirada do carregador (pente).
Jamais, qualquer pessoa por experiente que seja, pode manusear uma arma de fogo com alguém em sua mira. Mesmo sabendo que ela se encontra descarregada. Isto porque a pessoa se acostuma aos poucos com armas e vai adquirindo o que chamo de excesso de confiança. Essa vai extrapolando os limites e o nível de segurança vai caindo na rotina. Um dia, quando menos esperar pode estar apontando uma arma carregada para alguém e brincando de atirador. Sempre ao manusear a arma aponte para baixo ou para cima, dependendo do revestimento que tem o piso e o teto do local onde se encontra. Lembrando que dependendo do ângulo de incidência do projétil contra um anteparo, ele resvala e segue em outra trajetória. Mesmo na água isto ocorre.
Jamais uma arma de fogo pode ficar ao alcance de crianças. Por mais escondida que pareça um dia ela poderá ser encontrada pela criança curiosa que não possui habilidade suficiente para manipulá-la. Muitos acidentes já aconteceram e não creia que com você, nunca acontecerá. Nunca se sabe. O certo é não ariscar. Casas com pessoas depressivas ou especiais, o cuidado deve ser o mesmo. É melhor não ter arma se não sabe usá-la ou guardá-la convenientemente.
A pessoa que não tem experiência com arma e decide tê-la, é imprescindível fazer um curso de tiro de defesa. Aliás, para se adquirir uma arma de fogo, este é um dos pré-requisitos da Polícia Federal. Se a pessoa tem alguma experiência, recorde-se sempre dos itens de segurança citados e outros que existem.
Quando eu ministrava aulas de balística forense em um curso de formação de peritos, certo dia, eu levei algumas armas de fogo, dentre elas uma de fabricação artesanal, para mostrar o funcionamento delas e os cuidados que deveria ter com elas. Num momento da aula apoiei a coronha de uma espingarda artesanal de carregamento por antecarga sobre a mesa e decidi tirar alguns dos alunos do estado de sonolência com um disparo usando apenas a espoleta. Quando acionei o gatilho a carga que havia no cano abriu um rombo no forro de madeira da sala. Todos ficaram paralisados. Eu muito mais, pois um dos itens de segurança mais importantes não foi observado por mim quando recolhi no depósito aquela arma. Naquele momento, eu falhei horrivelmente pois não verifiquei se a mesma estava ou não carregada. Só não aconteceu uma tragédia porque o segundo item foi observado. A arma estava apontada para cima. Reaprendi a lição básica sobre manuseio de arma de fogo e espero que os alunos nunca se esqueçam dela.





_____________________________________________________________________________






9.4. Documentoscopia
(Corrigido pela perita Gracyelena Maira Dorivê)

9.4.1. Definições:

Documentoscopia51 é o conjunto de conhecimentos e recursos especializados de ordem técnico-científica, que tem por objeto a pesquisa, o estudo e a interpretação das falsificações e alterações de documentos, visando o esclarecimento e a manutenção da prova de questões a serviço da justiça.

Documentoscopia é a parte da criminalística que estuda os documentos para verificar se são autênticos e, em caso contrário, determinar sua autoria52.

Documento53 é todo papel ou material equivalente (suporte), sobre o qual se tenha gravado ou escrito uma mensagem ou declaração inteligível, com caracteres gráficos representativos de uma forma qualquer da linguagem humana, e que possa servir de prova de questões ou relações de fato e de direito.



9.4.2. Campos de Atuação:

A Documentoscopia atua nos seguintes campos da atividade humana, no que diz respeito à produção de documentos:

Suportes. Suportes são os locais onde são lançados os textos ou desenhos e marcas que, em conjunto, formam o documento. São papéis e películas diversas.

Instrumentos. São todos os objetos ou sistemas usados para produzir uma escrita ou símbolo. São lápis, canetas, pincéis, máquinas diversas, impressoras.

Tintas. As tintas são usadas para produzir um contraste com o suporte e devem ser consideradas uma vez que existe uma grande variedade de especificações. São produzidas em épocas e com fórmulas distintas.

Modo de execução. Cada pessoa possui uma maneira específica de produzir uma escrita, determinada pelo conjunto de diversos fatores ligados ao sistema de aprendizado, personalidade e até mesmo de certas deficiências. O instrumental usado na produção do texto em conjunto com as propriedades subjetivas do autor, apresenta características próprias no órgão escritor de cada pessoa. São características individuais.


9.4.3. Falsificações e Alterações

A Documentoscopia segue duas linhas básicas de pesquisa, de onde origina todo o seu trabalho. São as falsificações e as alterações.
9.4.3.1. Falsificações


Como falsificação, entende-se o procedimento promovido sobre um documento, no sentido de reproduzi-lo de forma e por instituição não qualificada. Tem por finalidade a produção de um novo documento. São as cópias, as reproduções e as imitações.
As falsificações constituem as imitações e os disfarces, os quais apresentam várias possibilidades de execução com um objetivo definido. Atingem o documento como todo.



9.4.3.2. Alterações

As alterações, via de regra, dizem respeito a partes do documento, diferentemente das falsificações.
As alterações de documentos são constituídas basicamente por adições, por substituições e alterações da cronologia por modo artificial para cada um desses itens.


Figura 60 – Rasura produzida em um documento

9.4.4. Problemas Básicos Investigados

Basicamente a Documentoscopia se preocupa em investigar a integridade do documento. Isto posto, ser o documento a peça fundamental objeto de preocupação da criminalística no que diz respeito a crimes. Dessa forma o documento é analisado quanto ao seu estado original ou sua integridade. Se um documento encontra-se alterado, ou seja, perdeu sua integridade, passa a ser visto como objeto de crime. A quebra da integridade de um documento implica em alterações que podem ser feitas de diversas formas, com uso de diversas técnicas.


9.4.5. Autenticidade do Documento.

Visa o estudo da autenticidade de um documento, esclarecer se um documento é verdadeiro ou falso. Um documento é falso quando constitui cópia de um original, ou é produzido de modo ou por instituição não autorizada para tal. Inclui o estudo do espelho e preenchimento.
Para a produção de espelho de documento falso, existe uma série de técnicas, as quais se apresentam uma para cada necessidade. As impressoras modernas são capazes de reproduzir com auxílio do computador e programas diversos, espelhos de qualidade muito boa, o que muitas vezes para ser detectado é preciso conhecimento e perspicácia. As máquinas fotocopiadoras oferecem recursos também muito bons. Como os espelhos são produzidos por processos de impressões gráficas, esse recurso com as possibilidades da arte informatizada são capazes de produzir peças realmente boas.


Figura 61 – Adulteração de documento


9.4.6. Autenticidade Gráfica.

Estuda principalmente os manuscritos ou as assinaturas contidas nos documentos. Pode um documento ser lançado em espelho original, porém com assinatura ou chancela falsa. Por isso a preocupação da documentoscopia vai além do estudo do espelho.

9.4.7. Autoria gráfica.

No estudo das assinaturas e dos preenchimentos de punho, a investigação documentoscópica verifica a autoria desses preenchimentos. Havendo necessidade, é possível atestar cientificamente quem escreveu, ou quem assinou um documento. Para isso é necessário recorrer a padrões, os quais devem ser produzidos na presença ou sob a orientação do perito em documentoscopia. Analisando as convergências ou divergências entre a assinatura no documento e os padrões é possível atestar se foram produzidos pelo mesmo punho ou não.

9.4.8. Algumas Definições Relacionadas

Para melhor compreender a Documentoscopia segue alguns termos e definições relacionadas ao seu estudo. Não é objetivo desse livro a explanação técnica detalhada dos mesmos.

9.4.8.1. Grafotécnica

Entende-se por grafotécnica, a parte da documentoscopia que estuda os grafismos de modo geral. Como todo documento traz a assinatura de seu portador, traz também os preenchimentos, via de regra, a documentoscopia se ocupa também desse grafismo. Nem todo exame de documento passa pelo grafismo, pois no estudo das falsificações de documentos nem sempre esta, se encontra relacionada ao portador. Isto, portanto, não constitui regra. Dá-se o caso de uma assinatura ser autêntica, do seu portador, sobre um espelho falso.

9.4.8.2. Gesto Gráfico

Entende-se por gesto gráfico, ao conjunto de movimentos conscientes e inconscientes que o indivíduo realiza na produção da escrita. É o gesto gráfico, de caráter intelectual. Ou seja, é passível de aprendizado e de desenvolvimento. É no gesto gráfico que um indivíduo se expressa naturalmente. Diz respeito inclusive à personalidade do autor, o que não constitui objeto de estudo da documentoscopia, mas da psicologia.

9.4.8.3. Idade Gráfica

Sendo o grafismo um gesto intelectual, o seu estudo abrange as fases do aprendizado, caracterizado como idade gráfica. Encarrega-se da análise da evolução e o desenvolvimento da escrita, que se apresenta nas seguintes fases.
Primária – É a fase da escrita, própria dos iniciantes e semialfabetizados. Apresenta a escrita nessa fase, características próprias, com interrupções, tremores, irregularidades próprias do gesto consciente do autor.
Secundária – É a fase da escrita automática. Uma vez que o indivíduo a domina, ela deixa de ser consciente, passando a um gesto natural e inconsciente. Nesta fase a escrita apresenta-se estável, com um dinamismo uniforme em todo o seu percurso.
Terciária – É a fase da escrita, própria dos indivíduos que apresentam diminuição dos reflexos. Por motivo de idade, ou de problemas de enfermidades.


9.4.8.4. Chancela

Basicamente, chancela é a assinatura em documentos, por meio de mecanismos de repetição automática.



Figura 62 – Falsificação de chancela

9.4.8.5. Espelho

Denomina-se espelho, à parte de um documento produzido mecanograficamente, no qual serão lançados os dados de um cidadão ou de uma lavratura. Ex.: Carteira Nacional de Habilitação, Cédula de Identidade e outros.


Figura 63 – espelho de um documento


9.4.8.6. Preenchimento

É a parte de um documento específico de um cidadão ou de uma situação. É lançado sobre um espelho para especificação de propriedade ou de situações diversas. Para isso usam-se instrumentos diversos como canetas, impressoras ou máquinas de escrever.

9.4.8.7. Imitações

Na produção de um grafismo, onde há intenção fraudulenta, muitas vezes uma pessoa procura adquirir procedimentos gráficas semelhantes a outra, sendo um desses procedimentos a imitação. É feita com base em procedimentos conhecidos, sendo assim previsíveis.
Por meio de Modelo. O falsário de posse de uma assinatura, tenta de maneira direta fazer uma cópia. Geralmente são fáceis de serem identificadas.
Por meio de transparência. O falsário cobre a parte a ser imitada com um papel, e segue a sombra projetada pela assinatura que está por baixo.
Por meio de carimbo. O falsário lança tinta sobre assinatura e depois pressiona sobre o outro suporte, para num terceiro momento cobrir a sombra deixada com um tipo de tinta atual.
Por meio de xerox. A assinatura é copiada por meio desse sistema e depois recoberta com tinta e caneta semelhante à que vai ser imitada.
Exercitada. A falsificação exercitada é que oferece maiores chances de sucesso. De posse de uma assinatura, o falsário pratica com várias repetições até julgar ter alcançado a perfeição. Então lança no documento definitivo produzindo a falsificação.

9.4.9. Leis e Princípios Fundamentais da Escrita


Segundo Lamartine Bizarro54, a escrita é individual. É resultante de estímulos cerebrais que determinam movimentos e estes criam as formas gráficas.


Figura 64 – A escrita emana do cérebro.


Não existem duas coisas ou atitudes iguais.
Entende-se então, mediante estudos sistemáticos, que uma assinatura só pode ser atribuída com segurança ao seu produtor.
As leis da escrita não dependem do alfabeto utilizado. Não importa, portanto se uma pessoa tenta mudar o tipo de letra, pois o que o perito busca são detalhes inerentes aos impulsos cerebrais. Estes são permanentes, ou seja, não mudam com o novo aprendizado. Constituem nos ataques, nos arremates, na pressão e outros padrões de comportamento de cada escritor.


Algumas características a serem estudadas na interpretação do grafismo, essenciais para a identificação do autor, são a forma, a dimensão, a posição, a direção e o espaçamento.



Forma

Por forma, entende-se o tipo caligráfico, que pode ser classificado ainda como elegante, primitivo, comum, curvilínea, arcada, angular e outros.


Dimensão
Por dimensão, entende-se o volume da escrita, se traduzido em grande pequeno e médio.


Posição
O posicionamento da escrita diz respeito à localização, o alinhamento com relação à linha de base. Observando-se as partes da escrita passantes para cima e para baixo.


Direção
Diz respeito à verticalidade ou horizontalidade dos traços. A obliquidade com relação a um padrão básico de eixo de 90 graus em relação à linha de base.


Espaçamento
Diz respeito à uniformidade ou não, na manutenção dos espaços interliterais.


Cruzamento de traços
Para o estudo do grafismo é importante analisar como alguns traços se cruzam, ou seja, como os traços se sobrepõem durante a escrita. Importante é perceber quando um traço foi suprimido para dar lugar a outro. Isso é possível com uso de iluminação através de aparelhagem própria.


O instrumento
Cada instrumento apresenta suas características e podem ser identificados pela análise pericial. Uma caneta de determinada característica atual, não pode ter existido num passado distante.


Tinta
Da mesma maneira, tintas usadas há décadas passadas, não são mais usadas hoje, pois novas tintas são fabricadas com novos componentes, os quais são passíveis de identificação por exames específicos.




_______________________________________________________________________________________________________









9.5 Datiloscopia

9.5.1. Histórico


A datiloscopia ou papiloscopia está para a história da criminalística como marco introdutório dos estudos sistematizados.
Nos primórdios da aplicação dos conhecimentos científicos na solução de crimes, foram os estudos sobre a papiloscopia que deram inspiração e incentivo aos pesquisadores para a sistematização dos conhecimentos até então existentes. Classificação das impressões digitais e seu uso como instrumento de identificação de criminosos.
O conceito de datiloscopia se tornou popular a ponto de ser conhecido de todos como sendo o sistema de identificação humana que tem por base as impressões digitais.
A datiloscopia é um ramo da palpiloscopia que estuda as papilas dérmicas, ou seja, as cristas e os sulcos papilares existentes nos dedos das mãos e pés dos seres humanos.
Marcello Malpighi na Itália por volta de 1664 desenvolveu os primeiros estudos sobre as papilas da pele, publicando o livro Epístola sobre o órgão externo do tato.
Sir Francis Galton na Inglaterra, em 1888 estabeleceu as bases científicas para o estudo e uso das impressões digitais como processo de identificação humana.
Juan Vucetich na Argentina, por volta de 1892 apresentou o sistema de identificação chamado de Icnofalangometria mais tarde datiloscopia.
Nomes como de Frederico Ruysch na Holanda por volta de 1701, Cristian Jacob Hintze 1751, João Evangelista Purkinje na Inglaterra por volta de 1823 e outros constituem marcos na história do desenvolvimento da criminalística essencialmente a partir dos estudos sobre datiloscopia, não podem ser esquecidos.


9.5.2. Fundamentação Científica

Estudos científicos sobre as impressões digitais indicam e comprovam que certos princípios dão segurança ao uso desse recurso na identificação humana e na identificação do criminoso. Como princípios, são reconhecidos pela comunidade científica internacional. O estudioso Carlos Kehdy55 apresenta alguns postulados.


9.5.2.1. Perenidade

O princípio da perenidade, diz que o ser humano adquire as impressões digitais nas primeiras semanas de vida, e as perde na fase final da decomposição do corpo. Com exceção das amputações e outras eventualidades.

9.5.2..2. Imutabilidade

Princípio segundo o qual, uma vez formada, a impressão digital não pode ser alterada. Com exceção para os casos de formação de cicatrizes ou amputações.


9.5.2.3. Diversidade

Segundo esse princípio, não existem duas impressões digitais iguais. Cada dedo possui o seu conjunto definido de linhas, pontos e sulcos digitais. Cada dedo de cada mão e cada mão de cada pessoa possui sua individualidade, que se constitui de um conjunto de linhas, sulcos e pontos definidos.


Figura 65 – Corte mostrando os sulcos e as cristas


9.5.2.4. Classificabilidade

Segundo o princípio da classificabilidade, as impressões digitais permitem ser enquadradas dentro de determinadas características de gênero. Podem ser agrupadas em características de classes e subclasses conhecidas como desenho digital.

9.5.3. – Conceitos

No estudo do desenho digital, devem ser considerados alguns conceitos sobre os elementos formadores desse desenho. São eles:
1) Ponto;
2) Ilhota, ou linha papilar forma uma espécie de um ponto;
3) Cortada, ou linha que se interrompe, e continua;
4) Bifurcação é uma linha que se divide em duas, em ângulo aberto e curvilíneo;
5) Confluência (forquilha), é uma linha que se divide em duas, em ângulo agudo e quase retilíneo;
6) Encerro é o resultado de duas cortadas que se opõem, formando um anel oval;
7) Haste, é um segmento de linha forma um apêndice na linha, semelhante a uma haste ou uma "fisga de arpão";
8) Anastomose, duas linhas ligadas por um seguimento curto formando entre elas uma ponte de ligação.



Figura 66 – Esquema de uma impressão digital


9.5.4. Desenho Digital

A impressão digital que é a reprodução do desenho digital básico apresenta de acordo com Vucetich, esquema de classificação e subclassificação denominado de arco, presilha interna, presilha externa e verticilo, consistindo o sistema datiloscópico.

a) Arco
Apresenta uma sequência de linhas com curvaturas brandas, as quais avançam de uma a outra extremidade da impressão digital dentro de um plano losangular. Não apresentam delta.

b) Presilha interna
Apresenta linhas que originam à esquerda do desenho e formam um núcleo no centro. Apresenta um delata do lado direito do desenho impresso, considerando a visão do observado.

c) Presilha externa
Apresenta linhas que originam à direita do desenho e formam um núcleo no centro. Apresenta um delata do lado esquerdo do desenho impresso, considerando a visão do observador.

d) Verticilo
Apresenta linhas que encerram em um núcleo central e dois deltas situados à esquerda e à direita do desenho impresso.


Figura 67 – Desenho digital – Classificação. Na marcação em cinza, percebe-se o Delta.



9.5.5. Dactiloscopia – Conceito

Entende-se por dactiloscopia o sistema de identificação feito por meio das impressões digitais. É parte integrante da papiloscopia, que expressa o estudo das papilas dérmicas.
São partes integrantes do estudo das impressões digitais, os quais definem e determinam partes integrantes das áreas pesquisáveis.
Ponto
Entre duas extremidades de linhas, em muitos casos existe um elemento pontual, assim denominado.
Cristas
São os ressaltos nas falanges e palmas das mãos e pés que forma juntamente com os sulcos, o desenho digital.
Arco
Numa impressão digital, arco é a curvatura apresentada pelas linhas da base de um desenho digital.
Extremidade de linha
As linhas que foram o desenho digital, impresso pelas cristas papilares, apresentam final e início, conforme a leitura feita.
Delta
Entende-se por delta o ângulo acentuado, formado pela curvatura, encontro ou aproximação de linhas. Podem se encontrar tanto à esquerda como à direita da impressão digital.

Poros
A presença dos poros numa impressão digital, forma falhas nas linhas, ou cristas papilares.


9.5.6. Sistemas Datiloscópicos

O Brasil conhece e adota dois sistemas para efeito de estudo e de arquivamento de impressões digitais. Sendo um usado na identificação civil e outro na identificação criminal.


9.5.6.1. Sistema Decadactilar
O sistema Decadactilar é o sistema baseado no estudo e arquivamento das impressões digitais dos dez dedos das mãos. Por sua praticidade é mais usado na identificação civil.


9.5.6.2. Sistema Monodactilar

O sistema Monodactilar baseia-se no estudo e arquivamento independente de cada uma das impressões digitais possíveis. É o sistema geralmente usado nos arquivos criminais, em função da praticidade nesse sentido.
O estudo e classificação das impressões digitais servem para o arquivamento no sentido de fazer a identificação do ser humano. Isto é feito através da formação de um banco de dados de todas as pessoas de uma comunidade. O estado precisa saber quem são os seus cidadãos, por isso relaciona e individualiza a todos os que lhe são legalmente incorporados, através do sistema de identificação civil. Os órgãos de polícia, para o controle da comunidade criminal, legalmente identificada, precisa de arquivo, por isso compõem um banco de dados específico.



Figura 68 – Impressão sobre a ficha

Figura 69 – Desenho da ficha datiloscópica para arquivo Decadactilar







______________________________________________________________________________






9.6. Odontologia Legal

A Resolução37 CFO-185, de 26 de abril de 1993, define especialidades e atribuições odontológicas.
O Art. 54. Odontologia legal é a especialidade que tem como objetivo a pesquisa de fenômenos psíquicos, físicos, químicos e biológicos que podem atingir ou ter atingido o homem, vivo, morto ou ossada, e mesmo fragmentos ou vestígios, resultando lesões parciais ou totais reversíveis ou irreversíveis.
Parágrafo Único. A atuação da odontologia legal restringe-se à análise, perícia e avaliação de eventos relacionados com a área de competência do cirurgião-dentista, podendo, se as circunstâncias o exigirem, estender-se a outras áreas, se disso depender a busca da verdade, no estrito interesse da justiça e da administração.
A odontologia legal trata primeiramente da identificação de pessoas pelo exame da ossada, em especial através da análise da arcada dentária. Porém de acordo com a resolução citada tal atribuição vai, além disso. Extrapola para outras áreas da criminalística tendo em vista, a busca de respostas tanto no sentido de identificação, como de determinação de fatores tanatológicos diversos, no interesse da justiça.
Assim um corpo, uma ossada, ou mesmo um corpo em decomposição, que precisa ser identificado, pode ser feito através do estudo da arcada dentária, comparada com a ficha odontológica resgatada no consultório onde o suspeito se tratava, ou de outras partes dos restos mortais.
Ajuda também na identificação de arcos dentários, que são os sinais produzidos por mordidas. Isto tanto no corpo humano, como em objetos, frutas e outros objetos. Responde se tais sinais foram produzidos por humanos ou animais, com possibilidade de identificar o autor, havendo um suspeito, ou um molde arquivado. Isso dentro dos recursos da criminalística moderna.


Figura 70 – Arcada dentária


Tem a Odontologia Legal contribuído de forma decisiva no conjunto de disciplinas da Criminalística, enriquecendo o processo de investigação científica de crimes de natureza pertinente. Sendo uma especialidade nova no que diz respeito a sua definição legal, suas atividades remontam épocas distantes tendo contribuído de forma magnífica em incontáveis casos em todo o território nacional brasileiro. Nos demais países ela é da mesma forma grandemente utilizada para solução de crimes de acordo com a estruturação dos meios de investigação de cada país.




_________________________________________________________________________





9.7. DNA Forense

Outro sistema novo dentro da Criminalística é o Exame de DNA forense. Surgiu em função do desenvolvimento da tecnologia e da técnica da individualização de pessoas por meio do sequenciamento genético, descoberto e aprimorado ao longo dos últimos anos. Essa técnica alcança a cada dia mais sucesso na área forense com o aperfeiçoamento de técnicas e tecnologias cada vez mais eficientes para esse estudo.
Para tanto, de posse de apenas uma gota de sangue, um pequeno fragmento de pele, ou outro tecido humano, saliva ou esperma, essa técnica é capaz de promover a individualização de uma pessoa, ou a ligação dela com um fato tipicamente criminoso. Essa identificação muitas vezes é feita com amostras de um parente do suspeito, ou em determinados casos da vítima.
Novas aplicações surgem a cada dia e desde que haja investimento e interesse político, a técnica auxilia de maneira eficaz na investigação de crimes em todo o território nacional. A exemplo, a Secretaria Nacional de Segurança Pública está implementando o Banco de Dados Nacional Criminal de Perfis Genéticos, com os estados da federação. Goiás é um dos pioneiros nessa técnica e utilização dos novos recursos. Assim, crimes ocorridos em qualquer parte do território nacional, podem ser esclarecidos com mais facilidade. Da mesma forma crimes que pareciam ter se perdido no tempo podem ser esclarecidos através das informações desse banco de dados.
O Perito Criminal especialista em DNA Forense, responde pela coleta de material em determinadas circunstâncias, a extração, separação e realização das análises com a interpretação adequada dos dados fornecidos pelos equipamentos, e que são expressos em laudo pericial de sua responsabilidade.
Existe um índice de acerto próximo a 100%, desde que as amostras sejam boas.







_____________________________________________________________________________






9.8. Química Forense

Como ramo da criminalística, a Química Forense é de suma importância, pois trata do estudo e da identificação de substâncias diversas, relacionadas a crimes e contravenções.
As perícias em substâncias são feitas, via de regra, por meio de reações químicas, onde os seus efeitos são perfeitamente previsíveis. Cada substância reage como outra de acordo com padrões conhecidos e quando interpretados corretamente indicam o tipo de substância pesquisada.
No entanto, várias técnicas existem associadas a equipamentos modernos, que possibilitam ou facilitam a realização desses exames, aumentando a probabilidade de acerto e o grau de certeza.
A cromatografia, muito embora um processo físico é muito usada para identificar substâncias diversas, indicando inclusive, o percentual de cada uma das partes que entram numa solução ou mistura.
A espectrofotometria, também é um processo usado na identificação de substâncias a partir de amostras colhidas, preparadas e analisadas pelos equipamentos.
Hoje, o uso de processos químicos associados a processos físicos possui uso na criminalística, no sentido de identificar e quantificar substâncias diversas, se encontrando elas em estado puro, ou não. Praticamente não há restrições para as aplicações de técnicas e equipamentos no mundo das ciências criminais, com exceção de técnicas não comprovadas, ou não adaptadas para uso forense.



________________________________________________________________________________






                    9.9. Toxicologia Forense


            O Laboratório Toxicológico dentro de um órgão de criminalística, ou de polícia Técnico-Científica, tem importância capital. Trata exclusivamente dos exames em produtos tóxicos, pois eles são nos dias de hoje, variados e importantes. Fazem parte da vida do cidadão, de uma forma ou de outra. Isso mereceu desse órgão atenção especial, no sentido de sua identificação, qualificação e quantificação, bem do estabelecimento de sua relação com os crimes investigados. Vão desde os envenenamentos acidentais, propositais e involuntários, a falsificações e adulterações diversas. Seja nos centros urbanos ou no meio rural.
Os produtos tóxicos se encontram relacionados a crimes diretamente ligados às pessoas, aos animais e ao meio ambiente. Neste caso, todo o meio ambiente sofre as influências dos diversos produtos tóxicos existentes, refletindo no ser humano e nos animais.
Várias são as metodologias usadas para a identificação e caracterização desses produtos. Desde as reações químicas realizadas com instrumentais ou vidrarias de laboratório, aos exames físicos realizados pro meio de equipamentos sofisticados e também específicos. Quando se trata de crimes contra o meio ambiente, na maioria dos casos, é necessário que seja feita não apenas a identificação dos produtos suspeitos, mas também a quantificação dos produtos identificados, pois as Normas Técnicas estabelecem parâmetros para a composição e para o uso de cada uma deles. Muitos dos produtos químicos, quando encontrados na água, no solo e nos alimentos permitem as normas e regulamentos, uma quantidade residual, a qual é tolerável nos organismos vivos. Daí a necessidade da determinação do quantitativo por porções predefinidas.
Quando se trata de morte por ingestão de produtos tóxicos, o laudo que determina a causa da morte, já indica a causalidade.
Muitos produtos químicos apresentam efeitos danosos no organismo vivo de forma direta, dependendo da quantidade ingerida. Outros apresentam efeito cumulativo, pois não são eliminados no processo metabólico. Assim a ingestão de uma pequena quantidade de um produto desses em um momento, soma-se com outra, chegando ao ponto de saturação no organismo da pessoa, animal dando início aos efeitos de sua presença.


Figura 71 – Laboratório





__________________________________________________________________________






9.10. Identificação Veicular

9.10.1. O Que é o Registro Nacional de Veículos

A identificação veicular é a modalidade de perícia ligada diretamente aos problemas em veículos motores em si inclusive suas identificações. Estuda as adulterações em documentos e as adulterações nos próprios veículos, basicamente na caracterização de crimes relacionados à gravação do número de série, ou número do chassi e de agregados de cada veículo. Caracterizam-se por uma infinidade de atividades criminosas que culminam com danos ao patrimônio.
Para lidar com os problemas citados forma montados nos institutos de criminalística, estruturas tanto a nível federal como estaduais.
O RENAVAM (Registro Nacional de Veículos Motores) foi criado pelo CONTRAN (Código Nacional de Trânsito), o qual apresenta uma estrutura federal, com ramificações nos estados e municípios, com o propósito de criar um banco de dados nacional, para gerenciar todas as informações relativas a cada veículo em circulação no país. (No Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo, cada um encontra-se o número denominado CÓDIGO RENAVAM). O Registro Nacional de Veículos, com suas ramificações permite o gerenciamento no sentido de cadastrar e alimentar com atualizações, multas, roubos, vendas e outras informações relativas a cada veículo. Assim uma vez atualizado o banco de dados, cada veículo tem sua existência definida, permitindo o conhecimento de sua situação a qualquer momento.


Figura 72 – Plaqueta de identificação de veículo



Figura 73 – Decalque do número no motor

9.10.2. Exame do Veículo

O exame em veículo, no sentido de atestar a sua integridade ou adulteração de qualquer forma, no que diz respeito à ação criminosa, deve ser feito pelo perito criminal. Qualquer ação que descaracteriza ou que adultera a originalidade de um veículo motor sem o conhecimento do órgão competente configura crime. Assim se um veículo é suspeito de adulteração tanto na sua estrutura física como seu número de série e de agregados, o perito criminal é o funcionário do estado dotado de legalidade para atestar esta situação.
O perito examina as características externas, ou seja, a autenticidade das placas de identificação, a pintura e as gravações do número de série no chassi, nos vidros e plaquetas, bem como adulterações na sua carroceria. Ele, então, atesta se estes dados são compatíveis com a documentação original e o registro nacional, ou não.

Exame da numeração do Chassi.
Embora cada montadora, ou cada modelo de veículo apresente uma sistematização quanto à gravação do número do chassi devem ser observadas as seguintes situações:
a) Regularidade dos caracteres quanto a forma e o tamanho;
b) Regularidade no alinhamento, espaçamento e profundidade da gravação dos caracteres;
c) Correspondência da numeração do chassi com as plaquetas;
d) Análise da numeração da plaqueta de identificação para verificar possíveis sinais de abrasivos;
e) Possíveis sinais de solda na numeração do chassi ou nas suas proximidades;
f) Numeração de segredo, quando houver;
g) Exame das etiquetas autoadesivas, verificando sua integridade. Nos veículos fabricados a parir de 1988;
h) Análise dos agregados que compõe o veículo, motor, câmbio, carroceria etc. (esses componentes são catalogados pelo fabricante).
Obs. A numeração do chassi de cada veículo é feita em baixo-relevo, a partir do processo de cunhagem. Já os agregados são gravados em alto-relevo.
Os exames são realizados, primeiramente, mediante limpeza do local do número do chassi e imediações. Havendo qualquer dúvida com relação a integridade dos caracteres deve ser feita a raspagem da tinta, e se preciso, o lixamento e aplicação de reagente até que o número ou os sinais da adulteração seja evidenciado.


Figura 74 – Número de chassi, placa do veículo


9.10.3. Adulterações

São diversos os tipos de adulterações usadas em veículos motores, visando burlar ou encobrir um crime.

  1. Ausência da numeração do chassi;
Consiste na remoção da numeração original.

  1. Regravação;
Consiste na remoção total ou parcial da numeração e posterior gravação de outros caracteres.
  1. Adulteração simples;
A partir da numeração existente, parte de alguns caracteres são alterados. Exemplo a transformação do “1” para o “7” ou para o “4”. Do “3” para o “8”; e outros.
  1. Recobrimento da peça suporte;
Consiste, no recobrimento total ou parcial da numeração do chassi através do uso de massa plástica, ou estanho e posterior lançamento de outra numeração.
  1. Chapa metálica sobre a numeração;
O recobrimento total ou parcial da numeração com uma chapa metálica e nesta o lançamento de nova numeração.
  1. Substituição da peça suporte;
A remoção total ou parcial da peça suporte e nesta o lançamento da nova numeração.
g) Supressão da numeração original e regravação em novo local;
  1. Remontagem;
Consiste no aproveitamento da parte de um veículo a qual é enxertada em outro.
São diversas as possibilidades de adulteração de um veículo automotor. O leigo não é capaz de fazer a identificação de tais adulterações, pois atualmente elas são muito bem elaboradas de acordo com as possibilidades tecnológicas e a habilidade do adulterado. Somente uma pessoa especializada pode detectar essas adulterações. O perito criminal é capaz de mediante o exame específico constatar e elaborar a prova material do crime. Por isso cabe a ele esse encargo.




________________________________________________________________________






9.11. Informática Forense

9.11.1. Possibilidades de crimes na área

Os crimes na área da informática surgiram com a popularização dessa tecnologia. Por necessidade forense surgiu também na Criminalística, o conhecimento capaz de extrair dos equipamentos de informática, a prova material que a lei exige. São diversos os crimes cometidos com os recursos da informática, os quais surgem novas práticas a cada dia.
Estão relacionados com as seguintes e principais configurações:


  1. Direitos autorais.
Os diretos autorais estão relacionados com o uso indevido de programas de computador, de músicas e as criações de modo geral, ligadas aos sistemas informatizados.

  1. Crimes contra o consumidor.
Estão relacionados com a venda e a manutenção de máquinas e programas, e crimes mais sofisticados como redes de comércio com fins escusos, vírus e outros.

  1. Crimes contra o Estado.
Nos crimes cometidos com uso da informática, estão principalmente as sonegações de impostos e as fraudes que assumem as mais diversas modalidades.

  1. Crimes contra a Pessoa.
Com o surgimento e desenvolvimento da informática o crime de pedofilia tomou nova roupagem, juntamente com a exploração sexual. Somam-se, a espionagem, roubos a contas bancárias através da clonagem de cartões e senhas e fraudes das mais diversas ordens.
N área da informática os crimes vão desde problemas com a máquina aos programas, visto a agilidade com que tudo acontece. A máquina de hoje não é a mesma de ontem e nem a mesma de amanhã. Com a evolução delas os programas são também atualizados constantemente aumentando as possibilidades de crimes na área. Também com grande capacidade processadora dos sistemas informatizados surgem as possibilidades de crimes das mais diversas naturezas. Por isso tanto a legislação relacionada e como o aperfeiçoamento da mão de obra dos peritos criminais precisa acompanhar e se atualizar para dar resposta à sociedade protegida pelo Estado Brasileiro.
Juntamente com a informática chegou com muita força e poder de ação na mão de criminosos, os meios de comunicação de maneira geral. O Celular, o aparelho de GPS e a Internet se tornaram ferramentas poderosas para a prática de crimes diversos e a criminalística tem em sua responsabilidade investigar de maneira técnica e material essas infrações. Deve qualificá-las de acordo com a legislação vigente até o presente momento.
Dessa forma, gravações precisam ser degravadas, escutas telefônicas precisam ser examinadas, autenticação de voz, montagens de gravações, reparos mal feitos em aparelhos precisam ser atestados, problemas com garantias e seguros, e tantos outros crimes, passam pela configuração da criminalística e dos peritos especialistas nesta área tecnológica.





_________________________________________________________________________






9.12. Desenho para Criminalística

            9.12.1. Apresentação

A criminalística sem o desenho é como o livro sem texto. É de fundamental importância, tanto que é previsível no CPP o seu uso no Laudo Pericial. Não só o desenho técnico como o artístico.
Sempre que o homem quer transmitir uma idéia ou uma mensagem, o desenho é a forma de comunicação em linguagem universal.
É conhecido como croquis ou croqui ou ainda desenho de local. Mesmo sendo um desenho simples, pode ser técnico, pois permite o lançamento de dados diversos e medidas de comprimento, largura, profundidade, ângulos, volumes e áreas.
O livro Desenho para Criminalística e Retrato Falado, do autor deste texto, tanto apresenta o desenho como recurso ou ferramenta para a criminalística, como orienta na produção de um desenho de local de evento, de maneira simples e fácil. Qualquer pessoa sem grandes habilidades pode produzir um rascunho com as informações necessárias para a produção de uma arte final por pessoa mais experiente.


9.12.2 Passos para produzir um bom desenho de local

Para a produção de um desenho de local por mais que isso possa parecer difícil para algumas pessoas, com a observância de uma técnica simples, esse pode ser realizado com extrema facilidade. No caso da realização de uma arte final, para esta, sim, exige-se mais habilidade por parte do desenhista, além de algumas ferramentas específicas. Portanto, para efetuar um levantamento, seguir alguns passos e importantes. Tomando como exemplo, um local de levantamento pericial de Acidente de Trânsito. Primeiramente o desenhista deve se colocar num ponto em que todo o local ou, pelo menos, uma maior parte deste, possa ser visualizada em conjunto. Uma análise deste local para fixação de detalhes é passo importante. A observação detalhada para captação e memorização da perspectiva e os detalhes maiores, pelo cérebro é importante, porque o conjunto panorâmico precisa ser reunido e transformado em traços de linhas retas e curvas. Com o desenvolvimento dos trabalhos os detalhes podem ser acrescidos oportunamente. Os passos mostrados na sequência permitem que qualquer pessoa execute um desenho de qualquer local por mais complicado que pareça. É claro que todo trabalho intelectual executado pelo ser humano, precisa de treino por meio de exercícios. Esses exercícios começam por desenhar locais mais simples e à medida que estes são produzidos, passa-se para os mais complicados. É assim que funciona o cérebro, é assim que respondem os órgãos motores.
Primeiramente desenham-se linhas básicas, fazendo isto com pontilhados ou traços suaves a lápis, iniciando-se dessa forma algumas finalizações de detalhes maiores, até perceber que as proporções estão corretas, ou, pelo menos, aceitas. Na sequência, os detalhes são checados e as linhas reforçadas uma por uma. Ao perceber que existe uma correspondência entre o desenho e o local, os veículos e outros detalhes vão sendo desenhados. Em seguida as linhas de cota, e após estas as medidas que vão sendo tomas podem ser lançados no desenho. Atenção especial para essas cotas, pois uma medida errada pode inviabilizar a finalização da arte final, pois esta é feita de acordo com os dados levantados pelo perito no local. Uma sequência de medidas os erros vão se somando e no final a cota não fecha.



Figura 75 – Desenho de local. Como produzir um desenho


Figura 76 – Desenho de local. Como produzir um desenho

Um desenho de Local de Crime Ambiental, muitas vezes é mais complicado, mas nada que um profissional dedicado não possa executá-lo. Ele pode produzir um desenho simples no local em exame, e juntamente com a imagem gerada pelo aparelho de GPS, e imagens de satélites ou mapas oriundos de quaisquer fontes, ajudarão a fechar uma ilustração digna de um laudo pericial de local.



Figura 77 – Croquis de local de crime ambiental


Reproduções Simuladas de acidentes de trânsito, podem ser desenhadas de acordo com a sequência de localizações dos veículos dentro da via, ou vias, previamente desenhadas, com segue.

Figura 78 – Desenho para reprodução simulada


Local de morte violenta, dentro de uma residência, o perito pode aproveitar as plantas baixas da construção e fazer a plotação do corpo e demais detalhes, caso tenha dificuldades para produzir um desenho de local, ou este seja complexo. Muitas vezes o levantamento exige detalhamento especial para demonstrar os pontos de acessos e saídas do interior do local, ou seja, portas, janelas e outras aberturas.


Figura 79 – Croquis de local de encontro de cadáver.

Um desenho de Local de Acidente de Tráfego elabora no laboratório, em arte final apresenta uma configuração artística e técnica de alta qualidade, melhorando a performance do Laudo Pericial e bem assim o convencimento por parte dos usuários desse documento. Tenho dito sempre, que, um laudo mal feito e mal demonstrado tem mais dificuldade de convencer. Enquanto que um laudo bem elaborado, com boas fotografias, desenhos bem apresentáveis e um texto bem elaborado têm mais chances de convencer.


Figura 80 – Desenho de Local de Acidente de Tráfego.


Com o desenvolvimento da informática, muitas das atividades em criminalística ganharam implemento considerável, sendo uma das áreas beneficiadas, a do desenho. Conta com diversos aplicativos tanto específicos como potencialmente aplicáveis na produção de desenhos para ilustrar os laudos periciais.
Serve a arte final de um desenho, como peça ilustrativa onde um local, situação, ou mesmo uma ideia é expressa de maneira simples, completa e exata, complementando o laudo pericial servindo, portanto, como peça de prova.
Serve como instrumento eficiente e fácil para o levantamento e registro dos dados durante o levantamento pericial de local, como também de peças e ferramentas e sistemas. É fácil observar como um desenho por simples que seja é capaz de comportar um número grande de informações. Para transcrever todas as situações e necessidades de um levantamento, seria necessária uma quantidade grande de palavras e textos, o que, com o desenho observa-se grande economia de tempo com maior ganho em termos de margem de erro.





_______________________________________________________________________






9.13. Fotografia Para Criminalística

9.13.1. Apresentação

Assim como o desenho, a fotografia é auxiliar da criminalística no sentido de registrar os levantamentos e periciais e as evidências diversas, e ilustrar os laudos periciais. È indispensável no sentido de cumprir com suas funções.
Para se produzir uma fotografia que atenda os requisitos da ciência, ela carece de metodologia específica. Não é como uma fotografia artística, onde o que importa é o belo, a comunicação e a força da expressão.
A fotografia para criminalística precisa antes de tudo, evidenciar o que é importante para o registro do todo e dos detalhes. Focos precisos, ângulos necessários, iluminação correta no sentido de evidenciar o que é importante.
Máquinas fotográficas para uso em criminalística precisam ter lentes capazes de produzir uma boa imagem. Que permitem um controle manual para evidenciar o que é importante. Lentes que permitem desde uma aproximação mínima, como as de longo alcance.
Fotografias, tanto coloridas como em preto e branco, podem ser usadas desde que cumpra o seu propósito.
Máquinas digitais produzem fotografias com uma qualidade cada vez melhor e por isso são usadas e aceitas no mundo científico como também no jurídico.
Se há alguma restrição à fotografia digital, elas se encontram relacionadas com a grande possibilidade de alteração da imagem através dos programas cada vez mais eficientes. Esta possibilidade existe também na fotografia analogia. É, portanto, aconselhável que o perito ateste em seus laudos a fidelidade da fotografia digital, pois ele é responsável pela fidelidade do laudo pericial e, portanto, das ilustrações nele contidas. Para isso é importante que o perito tenha o hábito de acompanhar a produção das fotografias, dos desenhos, das redações dos textos, com leitura e releitura de todas as partes feitas, tanto por ele mesmo, como por outros que o auxiliam.
É importante que as fotografias não somente registrem os locais, os objetos, mas relacionem um com o outro de acordo com as necessidades de cada levantamento.


Figura 81 – Uma boa fotografia

Animal com deformações na carapaça provocada pelo crescimento em local confinado.







_________________________________________________________________________






9.14. Retrato Falado

9.14.1. Pequeno Histórico

Ao longo da história do retrato falado, este recurso muito usado na identificação de pessoas suspeitas de crimes, passou por evoluções constantes e significativas.
A partir de 1970, ganhou uma roupagem metodológica científica importante, incorporando recursos cada vez mais modernos e eficientes.
Pesquisas então realizadas, levaram à classificação dos caracteres faciais e uso de entrevista cognitiva, introduzindo um avanço considerado muito grande.
Com a evolução da informática, esta passou a tecnologia do retrato falado para o computador e, programas modernos têm surgido cada vez com mais eficiência e praticidade. Essa evolução apresenta três kites básicos, dos quais o sistema informatizado é o mais recomendado. Porém nada impede que kits mecânicos sejam usados com sucesso, uma vez que o princípio de funcionamento e a metodologia são os mesmos.

  1. Identi-kit

Primeiramente surgiu o processo chamado identi-kit, o qual após a classificação das características faciais, permitiu à montagem de um kit desenhado em películas transparentes, as quais dispostas adequadamente em camadas, formam a face completa. É formado por um número grande de partes classificadas da face humana. Cabelos em uma seção, olhos em outra, narizes, bocas e queixos, todos separados. Partes complementares, como chapéus, barbas, bigodes, cicatrizes e outros, formam o kit. Cada parte citada apresenta uma variação de características que permite o manuseio separado de cada uma. Cada parte do rosto citada apresenta um número grande de peças com variações, as quais permitem a montagem de qualquer semelhança.
O retrato é formado usando-se um tipo de cabelo escolhido pelo informante dentre o banco de dados do kit, juntando-se a ele, olhos, nariz, boca, queixo e se for o caso, complementos. O informante procura no kit, dentre as peças que estão desenhadas os cabelos, uma que se parece com o cabelo do suspeito. Em seguida procura os olhos que se parecem com os olhos do suspeito; depois o nariz, a boca, o queixo e os complementos, até completar o retrato. As partes superpostas forma o retrato. Durante o processo de montagem, se o informante sentir necessidade de substituir alguma parte do rosto, que ele acha que não satisfaz, ele mesmo, procura outra, até que esteja satisfeito. O retrato montado em um tabuleiro próprio é coberto por outra película transparente que permite fazer correções com uso de lápis de cera. Uma vez terminado, o resultado se encontrando de acordo com a descrição do informante ele é fotografado e colocado à disposição acompanhado de um pequeno laudo.


Figura 82– Exemplo de como é montado o identi-kit.

  1. Fhoto fit

O fhoto fit é um kit opcional que traz uma roupagem de desenho mais elaborado, e a montagem é feita por um sistema de encarte em lugar de películas transparentes. Esse kit é formado por um número igualmente grande de tipos de cabelos e das demais partes, sendo que para montagem do retrato as partes são justapostas de forma anatômica, formando o retrato completo.
Funciona à semelhança do identi-kit inclusive com metodologia cognitiva de entrevista.


Figura 83- Exemplo de como é montado o Fhoto-fit.

  1. Comfhoto fit

Comphot fit é um sistema composto de computador, impressora, programa de computador e banco de dados das partes da face humana, em suas mais diversas variedades. Assim como nos demais modelos, procuram-se dentro do banco de dados ou no kit, um tipo de cabelo que se parece com o cabelo do suspeito, depois um tipo de olho que se parece com o suspeito e assim por diante até completar a figura. Como existe um grande número de tipos de cada parte da face, fatalmente será encontrado no banco de dados, um tipo de cada parte que se parece com o suspeito.
Como estão cada vez mais completos, existe banco de dados de homens, de mulheres, de pessoas de diversas raças e etnias.
O resultado é apresentado em impressão e colocado à disposição dos interessados, juntamente com uma descrição do suspeito.
Outros aplicativos existem no mercado, os quais usam sistematização específica. Citamos o Facete, como excelente sistema para confecção de retrato falado e outros usos.
É importante lembrar que o trabalho precisa ser seguido como processo desenvolvido por equipe. E sendo assim o trabalho de cada momento depende do que foi feito em momentos anteriores. O que foi mal começado na delegacia não pode ser terminado com sucesso. É preciso que todos conheçam e sigam o recomendado pelo sistema para que ele funcione bem. Cada equipe deve ter consciência do que vai ser feito e preserve o informante com a sua mente limpa de mais traumas do que ele já possui, para que na fase de confecção do retrato falado, não ocorra o extravasamento do trauma anterior.

O Retrato Falado não é aceito como prova, em função de sua metodologia. Porém ele compõe o corpo de provas, somando de maneira convincente quando é feito com uso de metodologia específica. Ajuda de maneira eficiente na investigação de todos os tipos de crimes.
O livro “Desenho para Criminalística de Retrato Falado*, trata do assunto com propriedade.


Figura 84 – Sequência de procedimentos com uso do programa de retrato falado


Figura 85 – Retratos falados elaborados na seção de Desenho e Retrato Falado do Instituto de Criminalística de Goiânia, GO.









__________________________________________________________________________




9.15. Padrões

Em criminalística como em muitos procedimentos científicos, é comum o termo padrão. Também um grande número de procedimentos criminalísticos é necessário ter um objeto padrão para ser comparado com um objeto relacionado a algum tipo de evento criminoso. Trata-se, portanto, de um objeto produzido em laboratório,, em condições especiais de controle, para ser comparado com um objeto questionado, com o fim de dar algum tipo de resposta.
Pode tratar-se o objeto questionado, de uma substância que possivelmente se encontra relacionado com um evento criminoso. No caso de morte por arma de fogo, um projétil retirado do corpo da vítima, ou encontrado na cena do crime. Uma porção de tinta extraída da lataria de automóvel, ou ainda um manuscrito suspeito de pertencer a alguém, uma pequena porção de uma substância orgânica humana para exame de DNA. Assim, qualquer objeto, substância, arma de fogo ou arma branca, uma fruta com sinais de mordia, um sinal no corpo, uma marca de ferramenta é uma peça questionada. Ela é questionada, pois carece de comprovação ou não quanto à sua relação com o fato criminoso.
Daí o outro conceito, o de peça questionada. Essa semelhantemente é tudo que possui uma relação com um evento criminoso e que deve ser usada para ser comparada com a peça padrão, com vistas à determinação às semelhanças ou diferenças entre as duas. Uma resposta sempre é extraída deste confronto.


No caso de um projétil de arma de fogo que foi retirado do corpo de uma vítima. Ele possui uma relação com a vítima de determinado crime, mas o autor é desconhecido. No caso a justiça precisa conhecer a relação do projétil com a arma, que por sua vez pertence a um suspeito. O confronto entre o projétil questionado e o padrão vai responder pela relação entre os dois e consequentemente com a arma relacionada com o crime. Assim, de posse de arma suspeita, e de um projétil retirado do corpo de uma vítima, são efetuados com ela, disparos de forma controlada para a produção do projétil padrão. Mediante a comparação entre o projétil padrão e o questionado, quando semelhantes, sabe-se que ambos partiram da mesma arma. Fica então estabelecida, a relação entre a arma e a vítima.
Instrumentos diversos deixam sinais que podem ser comparados com padrões para o estabelecimento de uma relação entre a peça questionada e a peça padrão.
Pensando em metodologia científica, vale lembrar que ela recomenda que a coleta de um padrão sempre deva ser feita pelo perito que realizará os exames. Isso é medida de segurança, pois será ele o responsável pelos exames e pelo resultado obtido. Ele conhece toda a sistematização para essa coleta, bem como todo o processo. Não é questão de desconfiança. É que cada perito deve assumir todo o procedimento como meio de segurança.







_________________________________________________________________________





9.16. Embalagem de Objetos Para Exames


Não é exagero citar a importância do modo como os materiais, objetos e substâncias devem ser embalados para transporte até o destino. Inicialmente os laboratórios para exames, depois até a delegacia e por fim ao Fórum e Vara a que se destina. Cada objeto tem sua maneira específica de embalagem com o fim de proteger suas características originais. Substâncias e produtos, dependendo do tipo de exame a ser realizado exigem um tipo de embalagem, e às vezes o acréscimo de substâncias estabilizantes.
Não serão comentadas neste manual as especificações de embalagens e como fazê-lo, com cada produto, objeto ou substância. O livro* Metodologia Científica e Perícia Criminal traz a descrição de vários métodos para embalagens.







____________________________________________________________________________









9.17. Cadeia de Custódia


Cadeia de Custódia é uma expressão que traduz os cuidados que a equipe tem que ter com os materiais destinados à perícia e que vão constituir a prova do crime. Desde que um objeto, ou uma substância é recolhido no local de uma perícia, ou seja, o local de um crime, ele precisa ser resguardado de extravios, ou de alterações, pois constituem objetos que serão caracterizados como parte do corpo probante de um crime.
É importante que a autoridade policial e os agentes, tenham conhecimento da importância desses procedimentos, quando é de sua responsabilidade fazer o transporte desses materiais. Muitas vezes o perito não o faz, por um motivo ou outro. Então cabe a autoridade policial fazê-lo. Casos em que esses objetos ficam sob a responsabilidade de pessoas menos informadas a esse respeito e possibilitam que eles sofram alterações. Também pessoas mal intencionadas podem introduzir alterações propositais, para atingirem seus objetivos.
Materiais enviados para os laboratórios são periciados da forma com são entregues. Portanto, se forem alterados, na maioria das vezes não há como o perito saber se houve alterações ou não. O perito citará no laudo quem entregou o material a ser examinado e se possível quem fez a coleta, o tipo de embalagem e se for o caso, se esse procedimento foi feito corretamente ou não. Até mesmo as possibilidades de alterações, devem ser relatadas no corpo de laudo pericial.
É portanto, a Cadeia de Custódia, o histórico da movimentação de uma substância ou qualquer material, destinado à perícia, e depois de periciado, destinado aos interessados de maneira geral. Todo esse histórico deve trazer sua descrição sucinta, local de origem e destino, datas embalagens usadas e nomes de quem enviou, do órgão recebedor, e nome de quem transportou. Todo esse cuidado serve para dar garantia ao processo de tramitação daquilo que pode ser a prova de um crime. É, portanto, coisa séria.
Certa ocasião a seção de Balística Forense periciou um projétil de arma de fogo, e o despachou juntamente com o Laudo Pericial, por meio de um funcionário da Delegacia requisitante. Era costume da seção, anotar o nome, a data e o RG da pessoa que resgatava o material. Posteriormente, já no fórum, foi solicitado pelos advogados, que se apresentasse o referido projétil. O mesmo não foi encontrado no depósito do Fórum, então recorreu-se à seção onde o mesmo foi periciado numa tentativa de atribuir o extravio do mesmo aos peritos que o examinou. Mas a seção precavida, tinha, pelo menos, parte da Cadeia de custódia, registrada no seu livro de registro de atividades. Provou assim pelo registro que o mesmo se perdeu em outro ponto da referida Cadeia de Custódia.








__________________________________________________________________________







9.18. Isolamento e Preservação do Local de Crime

9.18.1. O que é Isolar e Preservar um Local de Crime

Faz parte da Criminalística, o isolamento e a preservação do local do crime. A preservação do estado original do local do crime, com todos os seus pertences, relacionados ou supostamente relacionados como evento. Isto até que seja realizada a perícia, para a coleta dos vestígios que serão transformados em prova. Para tanto, existem procedimentos e cuidados no trato com esse local, antes da realização da perícia.
Como já foi citado, a responsabilidade legal pela preservação do local de crime até a realização da perícia é da autoridade policial.
Quem chega primeiro ao local onde ocorreu um crime, Sejam policiais ou não, precisa cuidar dele, não mexendo em nada, até que seja periciado, para que os vestígios nele contidos sejam encontrados sem alteração de qualquer forma. Esses vestígios devem ser interpretados corretamente, e transformados em meios de prova, para que a lei seja bem aplicada. Só assim a justiça será manifestada de maneira completa.
Isolar e preservar, portanto, é o ato de determinar a área onde o crime foi praticado, quando possível estabelecer barreiras sobre ela, para não seja alterado por qualquer meio até que seja devidamente periciado.



Figura 86 – Manchas de sangue em local de crime. Sua interpretação conta a história do crime. Se alguém modificá-la, a história, com certeza, será outra.


9.18.2. Materiais Usados Para o Isolamento de Local
Para fazer o isolamento de um local de crime podemos usar vários materiais:
a) Cordas de preferência brancas ou de cor viva para ser bem visualizada com facilidade por todos;
b) Fitas confeccionadas em plástico ou material parecido, pintadas em preto e amarelo.
c) Cones confeccionados com borracha ou plástico. Devem ser dispostos de maneira que fiquem bem visíveis, delimitando as áreas de interesse.
d) Veículos são bons instrumentos para isolar convenientemente um local.
e) Cordão humano, em casos de necessidade e disponibilidade.
f) Outros materiais existem, e não há restrição, desde que cumpram o objetivo a que foi proposto.


Figura 87 – materiais usados para isolar um local de crime.


9.18.3. Participação popular

É comum a violação de local de crime no Brasil. Essa violação é feita tanto por pessoas desavisas e curiosas, como pelos próprios policiais, que por descuido ou por falta de preparo, invadem o palco do crime, e sem critério técnico, alteram toda a cena. Isso leva o perito que vai examinar o mesmo e fazer a interpretação dos vestígios, a leituras muitas vezes erradas. Qualquer interpretação errada do que aconteceu nesse local será revertido em benefício do culpado.
A violação de um local de crime ocorre de diversas maneiras. Uma delas é a remoção de objetos e até mesmo do corpo, do local de origem. Isso é feito muitas vezes por curiosidade ou por ignorância. Dificilmente por necessidade. Ressaltando a necessidade justificada, que é a preservação da vida e do patrimônio. Outra maneira de violar o local do crime é a retirada de objetos dos locais originais. Seja a arma, partes da munição, substâncias, partes do indumento e outros. Qualquer coisa que estiver no local pode servir como meio de prova e não deve ser tocado. A introdução de objetos na cena do crime muitas vezes é feita de maneira inadvertida e até inocente. Seja uma nova pegada, que não só é acrescida, como pode alterar a pegada produzida pelo verdadeiro autor do crime. Uma ponta de cigarro, um escarro, um pedaço de papel e tantos outros.
Pelo princípio da intercomunicabilidade, sabe-se que uma pessoa não entra e nem sai de um local sem deixar nele suas marcas, e sem levar sobre si as marcas desse local. Portanto, ao adentrar na cena de um crime, de uma ou de outra forma, a pessoa está provocando alterações nesse local, e se ligando a ele. Portanto, pode passar a ser um dos suspeitos do crime investigado.
Nasce assim, a ideia de que a PRESERVAÇÃO DO LOCAL DO CRIME É RESPONSABILIDADE DE TODOS. Policiais Civis e Militares, e da sociedade.
A conscientização nasce da informação. Nada melhor do que educar para que todos participem. Os vestígios de um crime, que se encontram no local onde ele foi praticado, de acordo com o Processo Penal são, o instrumento usado para demonstrar a verdade sobre o fato delituoso. A prova auxilia na formação da convicção do Juiz, perante o ato criminoso ocorrido.


9.18.4. Procedimento do Policial Diante da Necessidade de Adentrar ao Local do Crime

Muitas vezes é necessário o adentramento do policial na área do crime. Para que o mesmo seja alterado minimamente, recomenda-se que apenas um dos policiais adentre, ou se aproxime do ponto principal, possivelmente onde se encontra o corpo da vítima. O outro deve permanecer a certa distância, apoiando visualmente seu companheiro. O policial que fizer a abordagem, deve fazê-la cuidadosamente, andando em linha reta, procurando fazer o menor percurso possível, observando para não pisar em qualquer objeto, pegada ou mancha de qualquer substância. Ao aproximar, deve posicionar-se de forma que não pise sobre nada que esteja relacionado com o crime. Em se tratando de corpo, o primeiro procedimento é verificar se ainda está com vida. O exame deve ser feito de maneira a não alterar a posição do corpo, dos seus membros, das vestes bem como de quaisquer outros materiais e substâncias. Todo esse procedimento sem mudar de posição para evitar o pisoteamento nas proximidades do corpo. Concluídos os exames, deve retornar pelo mesmo caminho, tomando os mesmos cuidados anteriores.
O isolamento, ou a colocação de obstáculos pode ser feito pelo outro policial, ou feito anteriormente ao adentramento referido.
Quando necessário, a remoção do corpo, quando em possibilidade de sobreviver, deve ser feita com os mesmos cuidados.
Fazendo isso, o policial fará o seu trabalho sem prejudicar o que deve ser feito por outros profissionais. Um relatório das atividades no local, repassado ao perito, sempre é de grande valia.


Figura 88 – O policial no local de crime, como se comportar



9.18.5. O que deve ser feito quando um local de Crime é encontrado

Essa regra vale para o cidadão e para os policiais. Não mexer em nada, a não ser no caso de prestação de socorro, não tirar, nem deixar qualquer coisa no local. Não deixar que outras pessoas mexam, nem retire qualquer coisa do local e das proximidades. No caso de haver necessidade do policial fazer uma abordagem ao local e à vítima, veja o procedimento correto no item a seguir.
O fato deve ser comunicado à polícia o quanto antes. Somente a polícia é capaz de tomar as providências necessárias. A princípio o cidadão contribui de forma mais indireta. Pode ajudar sob orientação da polícia. De acordo com as nossas leis, o cidadão que violar um local de crime e prejudicar a sua elucidação, pode ser processado.
A autoridade requisita a perícia via ofício, e esta comparece ao local.
O perito ao chegar num local onde ocorreu um crime, seja de que natureza for, examina, desenha, fotografa tudo e recolher amostras. Ou seja, os objetos, armas, projéteis, sangue, impressões digitais e tudo que for de interesse para exames complementares. Tudo que estiver relacionado ou supostamente relacionado com o crime deve ser examinado, alguns no local, e outros enviados para laboratórios, para exames especializados.
Quando o local é minuciosamente examinado e todos os objetos de interesse forem recolhidos, o perito reúne todas as informações necessárias e libera o local de acordo com as necessidades.
De posse dos laudos periciais e a autoridade desvendada o crime, o criminoso é preso definitivamente, o processo é enviado ao juiz. Os laudos constituem a prova científica, ou prova material do crime.


9.18.6. Eleição de Sítios a Serem Isolados e Preservados

Para se eleger o sítio a ser isolado e preservado, é preciso antes de tudo reconhecer esse local como um local de crime.
Assim é preciso:
a) Determinar o tipo de ocorrência. Ou seja, que tipo de evento deu origem à chamada dos policias.
b) Determinar onde ocorreu o evento, isto após uma análise do local e das imediações do mesmo.
c) Onde houver qualquer suspeita de haver vestígios, ou seja, desalinho de objetos, presença de substâncias, pontos de acesso e de fuga, galhos de jardinagens quebrados e tantos outros possíveis sinais.


9.18.7. As Trajetórias Possíveis Dentro do Palco do Evento

É importante definir outros pontos importantes, que se constituem dos pontos de acesso e saída do local imediato. Eles podem dar pistas importantes.
A partir de determinado ponto sempre existe uma trajetória capaz de ser determinada. Isso pelos próprios vestígios que são produzidos pela conduta de uma pessoa ou grupo de pessoas. É importante determinar essa trajetória, pois na maioria dos casos ela dará explicações importantes para o esclarecimento total do crime, inclusive apontando para o seu autor.


9.18.8. Materiais Comuns Encontrados nos Locais de Crimes

Para cada modalidade de crime, existe uma lista de possibilidade de vestígios que podem ser encontrados no local. Dentro dessa previsibilidade, há uma variação muito grande.


9.18.8.1. Locais de Acidentes de Trânsito

Para os locais de Investigação de acidente de trânsito, os principais vestígios a serem isolados e preservados são os seguintes:
a) Os veículos em seus repousos
Os locais onde foram detidos após a dinâmica do acidente.
b) As marcas de arrastamentos
Todas as marcas produzidas pelo atrito de partes rígidas dos veículos contra o piso da via.
c) Marcas de compressão de pneumáticos
São marcas produzidas pelo atrito dos pneumáticos dos veículos, as quais não são relacionadas com frenagens.
d) Marcas de frenagens
São as marcas produzidas pelo atrito dos pneumáticos contra o asfalto em função do travamento total dos pneumáticos dos veículos.
e) Marcas de espelhamento
São considerados espelhamentos, as marcas produzidas pelo travamento parcial dos pneumáticos dos veículos.
f) Concentrações de fragmentos dos veículos
As concentrações de fragmentos desprendidos dos veículos em função do embate. São peças, metais plásticos, vidros e outros.
g) Concentrações de terra
As concentrações de terra são lançadas em função do embate.
h) Outros
Muitos são os vestígios encontrados em locais de acidentes de trânsito. Além dos enumerados citamos corpos de vítimas, manchas de substâncias diversas, mercadorias, veste e outros.


9.18.8.2. Locais de Investigação de Morte Violenta em Ambientes Internos

Nos locais de Investigação de morte violenta os principais vestígios a serem isolados e preservados são:
a) Objetos desalinhados
Todos os móveis ou materiais e objetos, roupas e calçados desalinhados ou abandonados. Eles indicam movimentação antes ou durante o evento, e podem ser indicativos de luta corporal. Isso dá ao fato uma conotação de homicídio, levando a raciocínios variados quanto as suas causas.
b) Objetos quebrados
Objetos quebrados podem ter significados iguais ou parecidos.
c) Líquidos e substâncias derramados
Líquidos derramados podem muitas vezes parecer uma coisa e na verdade serem outra. Por isso todos os vestígios são importantes. É incorreto pensar que apenas alguns são suficientes para esclarecer um crime.
d) Frascos de substâncias suspeitas
Substâncias suspeitas, em frascos ou derramadas são objetos de investigação, portanto se estão dentro do sítio ou próximos, devem ser isolados.
e) Portas e janelas avariadas, manchas nas paredes
Avarias de maneira geral indicam locais de acesso ou saída. Podem ter outros significados, portanto, devem ser isolados e preservados.
f) Armas
Armas de qualquer natureza, sejam brancas ou de fogo, são os vestígios importantes e ajudam a demarcar o sítio do crime.
g) locais com impressões digitais
Os locais onde as impressões digitais podem ser encontradas são de preferência, as superfícies lisas, como vidros, móveis, portas paredes, papéis caixas de embalagens, metais e muitos outros. Se elas estão nas proximidades devem ser isoladas e preservadas.
h) Pegadas e manchas de sangue
Todos esses vestígios estão dentro do sítio do crime, e devem ser usados como referencial para a demarcação da área a ser isolada e preservada.


9.18.8.3. Locais de Morte Violenta em Locais Externos

Nos ambientes externos os vestígios mudam em alguns aspectos.
São os principais
Áreas com vegetação tombada ou amassada, objetos estranhos ao ambiente, locais com pegadas, marcas diversas, manchas, armas de todas as naturezas, frascos de substâncias suspeitas, locais que podem conter impressões digitais, manchas de sangue ou outras substâncias, roupas e calçados rasgados ou fora do corpo. Todos esses objetos e vestígios podem estar relacionados com o crime. Por mais se encontrem dispersos estão dentro da área a ser isolada e preservada.

Tanto em locais externos como nos internos é preciso que o policial faça uma varredura, nas imediações para que possa definir adequadamente e englobar na área a ser isolada. Uma vez que o policial adentrou nessas áreas e aconselhável que faça um relatório de suas atividades e passe para o perito, justificando o motivo da possível violação. Adentrando ao local é importante que ele observe os vestígios e procure preservá-los não alterando os mesmos em nenhum aspecto.

9.18.8.4. Locais de Investigação de Arrombamento Seguido de Furto

Nos locais de arrombamento seguido de furto como de roubo ou assalto, os vestígios são praticamente os mesmos, e muitas vezes se confundem com outros tipos de crimes.
São eles: Objetos desalinhados, gavetas abertas, portas janelas e portões danificados com marcas de ferramentas, cofres arrombados com sinais e avarias diversas, substâncias estranhas ao local, ferramentas estranhas ao local, documentos e papéis remexidos. Machas ou pegadas em muros ou paredes, tetos danificados, digitais ou pegadas e muitos outros objetos e sinais os quais delimitam a ação de quem cometeu o ato delituoso. Superfícies lisas e limpas podem conter impressões digitais ou pegadas.


9.18.8.5. Locais de Investigação de Danos ao Meio Ambiente

Nos locais de crimes contra ao meio ambiente, a princípio nos parece não haver o que preservar ou isolar. Em muitos casos, no entanto, isso se torna necessário, pois eles podem ser alterados de maneira que pareçam parcialmente recuperados ou indiquem processo de recuperação. Podem ainda esconder uma parte do ato delituoso. Locais de acesso ou saída do palco do crime, onde se encontra material apreendido, sendo estes, os mais comuns, máquinas para extração de areia, de madeira, material de pesca, máquinas para desmatamento e construção irregulares, depósitos de madeira apreendida, aves e animais em cativeiro, represas e desvios de cursos d água.

9.18.8.6. Locais de Investigação de Crimes na área da Informática

Nos crimes na área da informática, o que ocorre com maior frequência, é a necessidade de guarda de material apreendido, o que se dá com o fechamento de portas e janelas, fechamento ou guarda de possíveis acessos ao material. Isso muitas vezes ocorre, pois o acesso às máquinas permite alterações de dados importantes que na maioria das vezes precisam ser resgatados para exames.






_______________________________________________________________________







BIBLIOGRAFIA

PORTO, Gilberto. Manual de Criminalística. 2. ed. São Paulo: Editora Resenha Universitária. 1976.

RABELO, Eraldo. Curso de Criminalística. Editora Sagra Luzzatto. Porto Alegre 1996.

STUMVOLL, Victor Paulo, e. Criminalística –Tratado de Perícias Criminalísticas. Porto Alegre. Editora Sagra Luzzatto. 1999.

ARAGÃO, Ranvier Feitosa. Acidentes de Trânsito-Tratado de Perícias Criminalísticas. Porto Alegre. Editora Sagra Luzzato 1999.

Reis, Albani Borges e. Identificação Humana, Retrato Falado. Tratado de Perícias Criminalísticas. Porto Alegre. Sagra Luzzatto. 1999.

REIS, Albani Borges. Desenho e Criminalística. Porto Alegre. Editora Sagra Luzzatto. 1998.

CAVALCANTE, Ascendino. Criminalística Básica. Editora Raiz. 1985.

GARCIA, Ismar Estulano e. Novo Código de Trânsito. Goiânia. Editora A B. 1997.

CARVALHO, Hilário Veiga de e.Compêndio de Medicina Legal. São Paulo. Editora Saraiva. 1987.

KEDY, Carlos. Manual de Local de Crime 3. ed. São Paulo. 1963.

O´HARA, Charles. Introdução à Criminalística. Rio de Janeiro, USAID. 1964.




23 - Corpos a céu aberto. http://www.cemiteriobonfim.com.br/news.php?noticia=9&op=1
24 - Figini. Adriano Roberto da Luz e outros. Identificação Humana, 2a edição. Millennium Editora, Campinas S.P. 2003.
25 - Costa, Janyra Oliveira. Entomologia Forense. Millennium Editora, Campinas S.P. 2003.
26 - Carvalho, hilário Veiga de e outros. Compêndio de Medicina Legal, primeira edição. Editora Saraiva, São Paulo 1987.
27 - Reis. Albani Borges, Metodologia Científica e Perícia Criminal. Editora Millennium. Campinas 2006.

28 - Reis, Albani Borges dos. Desenho Para Criminalística e Retrato Falado, Editora Millennium, 2003, Campinas, SP.
29 - Aragão. Ranvier. Feitosa, Tratado de Perícias Criminalísticas – Acidente de trânsito, Editora Millennium, Capinas SP, 2003.
30 - Aragão. Ravier Feitosa, Acidentes de Trânsito, Editora Sagra Luzzato, Porto Alegre 1a Edição 1999.

31 - Reis. Albani Borges dos, Metodologia Científica e Perícia Criminal. Editora Millennium, Campinas, SP, 2006.

32 Reis. Albani Borges dos, Metodologia Científica e Perícia Criminal. Editora Millennium, Campinas, SP, 2006.

33 - Aragão. Ranvier Feitosa, Química Legal e Incêndios. Sagra Luzzatto, Porto Alegre 1999.

34 - Carvalho, Maria Helena Campos de. Vade Mecum. Editora Jurídica Mizuno. Campinas SP, 2006.

35 - Industrias de Processos Químicos. Norris, R. Shreve e A. Jpseph Brink Jr. Editora Guanabara Dois, 4a Edição, 1980.


36 - http://www.uniodonto-lf.com.br/noticias/artigophd?id=123
37 - http://www.naturlink.pt/canais/artigo.asp?.artigo=9314&ilíngua=1
41 - http://www.scribd.com/doc12845274/cobre-e-as-suas-ligas
42 - http://www.scribd.com/doc12845274/cobre-e-as-suas-ligas
43 - http://www.termometalica.com.br
44 - http://www.scribd.com/doc3135914/telecurso-2000-quimica-20
45 - http://www.ptwikipedia.org/wiki/zinco
46 - Reis. Albani Borges dos. Metodologia Científica e Perícia Criminal.
47 - Tocchetto e Alberi. Editora Millennium. Campinas SP, 2006
48 - Tocchetto, Domingos. Balística Forense, Aspectos Técnicos e Jurídicos 3a edição. Editora Millennium. Campinas SP, 2003.
49 - Rabelo, Eraldo. Balística Forense Volume I 2a edição. Editora Sulina, Porto Alegre 1982.
50 - Tocchetto, Domingos. Balística Forense, Aspectos técnicos e jurídicos 3a edição. Editora Millennium, Campinas SP 2003.
51 - Cavalcante, Ascendino. Criminalística Básica. Editora Raiz Pernambuco, 1985.
52 - Mendes. Lamartine Bizarro. Documentoscopia, Editora Millennium. 2a Edição. Campinas SP 2003.
53 - Rabelo. Eraldo. Curso de Criminalística. Editora Sagra Luzzatto. Porto Alegre 1996.
54 - Mendes. Lamartine Bizarro. Documentoscopia, Editora Millennium. 2a Edição. Campinas SP 2003.
55 - Kehdy, Carlos. Elementos de Criminalística Editora Sugestões Literárias, São Paulo, 3a Edição.
* - Reis, Albani Borges dos. Desenho Para Criminalística e Retrato Falado. Editora Millennium, Capinas SP 2003.
* Reis, Albani Borges dos. Metodologia Científica e Perícia Criminal, Editora Millennium, Campinas, SP 2006.